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Saúde

Jaca e romã podem ajudar a tratar periodontite, diz estudo brasileiro

Pesquisadores criaram biomaterial com látex de jaca, casca de romã e sinvastatina; testes indicam potencial para regenerar gengivas

19/06/2026 15:27, atualizado 19/06/2026 15:33
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Foto colorida com zoom em boca feminina, que mostra os dentes e gengivas - Metrópoles

Um material feito com látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina, medicamento conhecido por reduzir colesterol, pode abrir caminho para novas formas de tratar danos provocados pela periodontite, forma grave da doença gengival.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba, e publicada em 9 de março de 2026 na revista Polymer Bulletin.

A periodontite é uma doença inflamatória crônica de origem infecciosa. Com o avanço do quadro, ela pode destruir estruturas que sustentam os dentes, causar perda óssea e reduzir a ligação entre o dente e os tecidos ao redor.

Por que a jaca entrou na pesquisa

Os tratamentos atuais ajudam a controlar infecção e inflamação, mas têm limitação para regenerar tecidos perdidos. Por isso, os pesquisadores buscaram um material capaz de permanecer por mais tempo na região afetada e liberar substâncias diretamente no local.

Segundo os pesquisadores, o látex de jaca foi escolhido por suas propriedades adesivas. A equipe avaliou que a substância poderia permanecer por mais tempo na região afetada pela periodontite, favorecendo a liberação local de compostos terapêuticos.

Além do látex de jaca, o biomaterial recebeu extrato de casca de romã, conhecido pelo potencial antimicrobiano em uso local, e sinvastatina, que já é estudada por efeitos anti-inflamatórios e por estimular processos ligados à formação óssea.

A lógica da combinação é atuar em mais de uma frente: ajudar no controle de microrganismos, manter o material aderido à área lesionada e favorecer sinais biológicos relacionados à regeneração de osso.

No estudo, a sinvastatina foi adicionada ao gel em três concentrações: 0,3%, 0,6% e 1,2%. Segundo os autores, as três formulações não alteraram a estrutura do gel e foram consideradas tecnicamente seguras nos testes feitos em laboratório.

O que os testes mostraram

Os pesquisadores fizeram análises físico-químicas e biológicas para avaliar a estrutura e o comportamento do biomaterial. Também realizaram testes in vitro com células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo.

Os resultados indicaram liberação sustentada do medicamento e aumento da osteoindução, processo que estimula células a seguirem caminho de formação óssea. A resposta foi observada em 14 dias e ficou mais evidente após 21 dias de diferenciação celular.

Os autores relatam que os resultados obtidos em laboratório foram promissores e sugerem potencial para futuras aplicações na regeneração de tecidos afetados pela periodontite.

Apesar dos resultados positivos, a descoberta ainda está em fase inicial. O estudo não testou o biomaterial em pacientes e não comprova que a jaca, consumida como alimento, trate ou reverta doenças gengivais. A equipe ressalta que a tecnologia precisa passar por novas etapas de pesquisa para que sua eficácia e segurança sejam avaliadas de forma mais ampla.

Na prática, o estudo mostra uma possibilidade de usar componentes naturais, combinados a um medicamento já conhecido, para criar um sistema local de liberação de substâncias capaz de atuar contra inflamação, infecção e perda óssea provocadas pela periodontite.

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