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Já pegou Covid-19? Tire suas dúvidas sobre a imunidade adquirida

Pesquisas recentes avançam para explicar quanto tempo dura e como funciona a proteção desenvolvida depois da primeira infecção

atualizado

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Coronavírus ilustração
1 de 1 Coronavírus ilustração - Foto: Pixabay

Se você está entre os que já foram infectados pelo novo coronavírus, deve ter algumas dúvidas sobre a proteção adquirida. Ela seria capaz de evitar uma nova infecção? Caso tenha contato com uma nova variante do vírus, os anticorpos desenvolvidos serão capazes de neutralizá-la? Em quanto tempo, a defesa desenvolvida desaparece?

Os infectologistas costumam brincar que a resposta para essas perguntas valem 1 milhão de dólares e não há exagero nisso. Apesar do coronavírus ter provocado profundas mudanças na vida de todos nós, o nosso tempo de convivência com ele ainda é curto. Há conhecimento acumulado sobre o assunto mas, diariamente, a comunidade científica é desafiada pelos eventos do “mundo real”.

Em relação à imunidade adquirida, é importante entender que uma resposta imunológica eficiente é determinada por dois tipos de imunidade: a imunidade humoral promovida pelos anticorpos e a imunidade celular, gerada por um tipo específico de células de defesa, os linfócitos T.

No caso da Covid-19, a tarefa dos anticorpos é reconhecer o Sars-CoV-2, neutralizá-lo e eliminá-lo. Por sua vez, os linfócitos T atuam quando o vírus já está dentro de células hospedeiras. As células T promovem a destruição dele ou a morte das células que foram infectadas, para conter a doença.

Alguns estudos feitos por universidades, instituições renomadas e sistemas de saúde de outros países começam a descrever como esse sistema funciona. Confira perguntas e respostas sobre a imunidade adquirida depois da Covid-19:

Quanto tempo dura a imunidade após a infecção do novo coronavírus?

Acredita-se que os recuperados da Covid-19 tenham proteção média de sete meses. As evidências são de um estudo feito por membros da Public Health England (PHE), agência governamental do Reino Unido, entre junho de 2020 e janeiro de 2021. As informações vieram da análise sobre os dados de 25 mil pessoas e os resultados foram publicados em abril, na revista The Lancet – uma das mais prestigiadas do meio acadêmico.

De acordo com o trabalho, os infectados tinha um risco 84% menor de pegar a doença novamente quando comparados a quem ainda não tinha sido contaminado. Entre os infectados, cerca de 90% das pessoas desenvolveram anticorpos 7 dias após o início dos sintomas e eles, persistiram por, no mínimo, três meses.

A gravidade da doença influencia no nível da proteção futura?

Ao que tudo indica, sim. “Existe uma variação muito grande sobre quanto tempo a resposta imune dura e isso depende muito dos sintomas e da gravidade da primeira infecção”, explica Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Estudos recentes mostram que pacientes com quadros mais graves, que tiveram que passar por uma internação, desenvolvem resposta imune mais forte e persistente, com maior nível de proteção celular e de anticorpos. Por outro lado, pessoas que tiveram a doença mais leve ou assintomática tendem a produzir uma proteção menor.

Uma das pesquisas mais recentes sobre o assunto foi feita pela Uniformed Services University of Health Sciences, dos Estados Unidos, com 250 pessoas que contraíram o coronavírus. Um ano após a infecção, 100% do grupo que havia ficado internado tinha anticorpos neutralizantes contra o coronavírus. Entre as pessoas que contraíram a forma leve ou moderada da doença, esse percentual, passado um ano, era de apenas 18%.

A reinfecção pode ser mais grave?

Depende. Cada organismo reage de uma maneira à infecção do coronavírus. O infectologista Tazio Vanni, médico do Hospital Brasília Unidade Águas Claras, explica que não importa apenas a quantidade de anticorpos produzidos, mas a competência deles em neutralizar o vírus. “Não dá para estabelecer uma relação direta porque nem todo mundo vai produzir anticorpos e a resposta à infecção é celular também”, explica.

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriram que pessoas que tiveram a forma leve ou assintomática da doença podem ter controlado a replicação do vírus Sars-CoV-2 sem desenvolver imunidade humoral – isso sugere que, para elas, a reinfecção pode ser mais frequente. “É possível que algumas pessoas tenham uma baixa resposta humoral, mas tenham uma boa resposta celular. O problema é que essa resposta celular é bem mais complicada de ser medida”, comenta Vanni.

A imunidade adquirida por infecção garante proteção contra as novas variantes?

As novas variantes têm como base o vírus original, porém, possuem mutações que podem torná-las mais ou menos transmissíveis. É possível que as mutações sejam capazes de confundir a ação dos anticorpos e das células protetoras. Por isso, o infectologista Tazio Vanni afirma que os que já tiveram a doença tem sim um grau de proteção, mas ainda não está claro o quanto essa proteção adquirida é capaz de deter uma nova infecção.

Quanto tempo dura a proteção imunológica em pessoas vacinadas?

A duração da imunidade após a vacinação contra a Covid-19 ainda é desconhecida.

A imunização acontece quanto tempo após a vacina?

A resposta plena do organismo às vacinas só acontece entre 14 e 21 dias após a segunda dose. Mas especialistas em saúde pedem que, mesmo as pessoas completamente imunizadas, continuem seguindo os cuidados de prevenção até que o país atinja a imunidade coletiva, com 70% da população vacinada.

Um estudo recente da Universidade de Oxford, em parceria com o Office for National Statistics (ONS), do Reino Unido, mostra que a probabilidade de ser infectado pelo coronavírus cai em até 65% após a primeira dose das vacinas de Oxford/AstraZeneca e Pfizer/BioNTech.

Outra pesquisa feita em Israel, publicada em fevereiro na revista The Lancet, mostrou que a eficácia da vacina da Pfizer/BioNTech chega a 85% após a primeira injeção.

Saiba como o coronavírus ataca o corpo humano:

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