Intoxicações ligadas ao kratom disparam nos EUA em uma década
Estudo mostra disparada nas intoxicações por kratom nos EUA e aumento de hospitalizações entre 2015 e 2025
atualizado
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As ligações para centros de controle de intoxicações nos Estados Unidos relacionadas ao uso de kratom tiveram um aumento expressivo na última década.
O kratom é derivado das folhas de uma árvore tropical originária do Sudeste Asiático. Tradicionalmente, a planta é consumida na forma de folhas mastigadas, chá ou pó, sendo usada para aliviar dor, melhorar o humor e reduzir sintomas de abstinência de opioides.
Uma análise, publicada em 26 de março, conduzida por pesquisadores do sistema de saúde da Universidade da Virgínia (UVA Health) aponta crescimento superior a 1.200% entre 2015 e 2025, acompanhado por elevação no número de hospitalizações associadas à substância.
Em 2015, foram registrados 258 casos de exposição ao kratom. Dez anos depois, o total chegou a 3.434 ocorrências, o maior número já registrado no país. Os pesquisadores atribuem a escalada à maior disponibilidade do produto e à potência crescente das formulações vendidas atualmente.
O estudo analisou dados do Sistema Nacional de Dados sobre Intoxicações dos Estados Unidos e identificou mais de 14.400 exposições à substância ao longo do período avaliado. A maioria dos casos envolveu homens, principalmente na faixa dos 20 e 30 anos, embora também tenha havido aumento entre pessoas de 40 a 59 anos.
Hospitalizações e mortes também aumentaram
O crescimento das notificações também foi acompanhado por aumento significativo nas hospitalizações. Os casos associados exclusivamente ao kratom passaram de 43 em 2015 para 538 em 2025, alta superior a 1.150%.
Quando o uso da substância ocorreu junto com outras drogas ou medicamentos, como antidepressivos ou substâncias ilícitas, as hospitalizações aumentaram ainda mais. Nesse cenário, os registros subiram de 40 para 549 no mesmo período.
Durante os dez anos analisados, foram registradas 233 mortes relacionadas ao kratom. Em grande parte dos casos fatais, a substância havia sido usada em combinação com outras drogas.
Para o pesquisador Chris Holstege, diretor do Centro de Controle de Intoxicações Blue Ridge da UVA Health, os dados refletem uma tendência preocupante.
“Essa tendência encontrada nos dados nacionais também está ocorrendo em nossa prática clínica local, com mais pacientes procurando atendimento após complicações graves associadas a produtos de kratom”, afirma, em comunicado.
Consumo do kratom
Nos Estados Unidos, o produto costuma ser comercializado em versões mais concentradas, como cápsulas e comprimidos, muitas vezes vendidos em lojas de cigarros eletrônicos ou postos de gasolina.
Como esses produtos não são regulamentados, especialistas alertam que os consumidores não têm garantia sobre a composição ou a concentração das substâncias presentes. O kratom também tem sido associado a possíveis danos ao fígado e a interações com medicamentos.
Diante do aumento dos casos, os pesquisadores defendem maior rigor na fiscalização da substância e campanhas de informação para alertar a população sobre os riscos.
“Queremos que o público esteja ciente de que esses produtos contêm substâncias químicas em concentrações variáveis e podem causar interações medicamentosas e consequências adversas em humanos”, destaca Holstege.
