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Essa é boaSaúde

Implante faz paciente que não fala há 16 anos voltar a se comunicar

Dispositivo cerebral desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia foi capaz de "ler a mente" do paciente

Eline Sandes10/11/2022 17:15, atualizado 10/11/2022 17:16
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Reprodução/UC San Francisco
ilustração de teste com homem volta a se comunicar por implante que "lê mente"

Um homem de 36 anos voltou a se comunicar 16 anos depois de sofrer um derrame que o fez perder os movimentos do corpo e a capacidade de fala. Embora ele não consiga usar a boca, o norte-americano agora pode “conversar” usando um implante com tecnologia inédita que capta os sinais elétricos emitidos pelo cérebro em direção às cordas vocais e os traduz em palavras.

O dispositivo usa um computador para decodificar as informações provenientes do cérebro em letras, que formam palavras e frases em uma tela. O ritmo da tradução é de aproximadamente sete palavras por minuto.

O paciente, conhecido como Pancho, perdeu todos os movimentos do corpo, exceto dos olhos, após sofrer de um derrame aos 20 anos de idade. Durante a realização do teste, ele afirmou que está encantado com o dispositivo e, bem humorado, acrescentou que odeia comida de hospital.

O aparelho foi idealizado por cientistas da Universidade da Califórnia, em San Francisco, nos Estados Unidos. A equipe espera que a tecnologia seja amplamente disponibilizada até o fim da próxima década. O artigo científico sobre o projeto foi publicado em julho de 2021, mas só agora os testes em pacientes estão sendo finalizados.

Os pesquisadores esperam que a tecnologia também auxilie pacientes de outras condições que “roubam” a fala, como a paralisia cerebral, por exemplo.

O implante contém 128 sensores, que são inseridos na superfície do cérebro, abaixo do crânio, e se conectam a um computador.

Para usar a tecnologia, o paciente deve tentar movimentar a boca de acordo com o alfabeto fonético da OTAN, que usa expressões como alfa, bravo, charlie e delta. Com isso, o computador capta os sinais e os traduz em cerca de dois segundos. A taxa de erro é de uma letra errada a cada 16.

Segundo Sean Metzger, neurocirurgião envolvido no desenvolvimento da nova tecnologia, Pancho está gostando muito de usar o dispositivo, mas as reclamações em relação às refeições são constantes. “Ele tem nos ensinado muita coisa”, afirmou.

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