Hepatologista lista sinais de que você pode ter gordura no fígado
Gordura no fígado atinge 40% dos brasileiros e pode evoluir para cirrose. Saiba sintomas e como tratar
atualizado
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A gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, já é considerada um problema de saúde pública no Brasil. Estima-se que cerca de 40% da população tenha acúmulo de gordura no órgão, e muitas vezes sem saber.
Apesar de comum, a gordura no fígado precisa de atenção, porque quando não tratada, pode evoluir para quadros mais graves, como fibrose, cirrose e até insuficiência hepática.
De acordo com o hepatologista Rodrigo Rêgo Barros, de Recife, o maior desafio é que o fígado dificilmente dá sinais claros de que algo está errado. “É um órgão silencioso e raramente dói”, explica. Por isso, o diagnóstico costuma acontecer por meio de exames de rotina.
Doença silenciosa e fatores de risco
Na maioria dos casos, a gordura no fígado se instaura de forma lenta e discreta. Os sintomas, quando aparecem, tendem a surgir em fases mais avançadas.
Pessoas com obesidade, diabetes, hipertensão arterial e alterações no colesterol fazem parte do principal grupo de risco. Nesses casos, a recomendação é manter acompanhamento médico regular e fazer exames periódicos de sangue e imagem para monitorar a saúde do fígado.
Alterações nas enzimas hepáticas, como TGO, TGP e GGT, podem ser um dos primeiros indícios de que algo está errado.
Quais são os sintomas da gordura no fígado?
Embora muitas pessoas não apresentem sinais no início, alguns sintomas podem surgir com a evolução da doença. Entre os principais, destacam-se:
- Cansaço frequente, mesmo após repouso adequado;
- Desconforto ou dor leve na parte superior direita do abdômen;
- Náuseas, especialmente após refeições mais pesadas;
- Sensação de estufamento ou inchaço abdominal;
- Dificuldade para digerir alimentos gordurosos;
- Alterações detectadas em exames laboratoriais.
Mudança de hábitos é o principal tratamento
Apesar de poder levar a complicações sérias, a gordura no fígado tem um ponto positivo: em muitos casos, é reversível.
Segundo a endocrinologista Marília Bortolotto, da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), não existe um medicamento específico para tratar a esteatose. A base do tratamento vem da mudança do estilo de vida.
“A perda de pelo menos 7% do peso corporal já está associada a melhora significativa do quadro”, afirma. Alimentação equilibrada e prática regular de atividade física são as principais estratégias recomendadas pelos médicos.

O que ajuda a reverter o quadro?
Os especialistas destacam algumas medidas que fazem diferença no controle da gordura no fígado. Confira:
- Emagrecimento gradual, evitando dietas restritivas radicais;
- Priorizar alimentos naturais, como verduras, frutas, grãos integrais, feijões e proteínas magras;
- Reduzir ou suspender o consumo de bebidas alcoólicas;
- Diminuir a ingestão de açúcar e farinha refinada;
- Praticar exercícios aeróbicos combinados com treinos de força;
- Manter sono regular e de qualidade;
- Controlar glicose, colesterol e pressão arterial;
- Evitar automedicação e suplementos sem orientação;
- Fazer acompanhamento médico periódico.
Com essas mudanças, os primeiros sinais de melhora podem aparecer entre três e seis meses, dependendo do estágio inicial da doença.
