Pesquisa nacional investiga hábito pouco observado no consumo de sal
Estudo identificou que o hábito de colocar sal no prato é mais frequente entre homens e está associado ao estilo de vida
atualizado
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Adicionar sal à comida depois que ela já está pronta continua sendo um hábito presente entre muitos idosos brasileiros. A conclusão é de um estudo publicado em abril na revista científica Frontiers in Public Health, que analisou dados de 8.336 pessoas com 60 anos ou mais participantes do Inquérito Nacional de Alimentação da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017–2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os pesquisadores buscaram identificar quais características estavam associadas ao hábito de acrescentar sal aos alimentos já servidos no prato. Os resultados mostraram que a prática é mais comum entre homens do que entre mulheres e pode estar relacionada a diferentes padrões de comportamento alimentar.
“Adicionar sal aos alimentos à mesa continua sendo um hábito relativamente comum entre idosos brasileiros e ocorre com mais frequência entre homens do que entre mulheres”, afirmou Flávia dos Santos Barbosa Brito, professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e primeira autora do estudo.
Entre os homens avaliados, 12,7% relataram adicionar sal à comida à mesa. Entre as mulheres, o percentual foi de 9,4%. A análise mostrou que, entre os homens, o hábito foi mais frequente entre aqueles que não seguiam dieta para controle da hipertensão arterial e entre os que moravam sozinhos.
Segundo os pesquisadores, idosos que vivem sozinhos podem apresentar padrões alimentares diferentes dos observados entre aqueles que residem com outras pessoas, embora o estudo não tenha investigado diretamente os motivos para a associação encontrada.
Frutas, vegetais e ultraprocessados
Entre as mulheres, o hábito de acrescentar sal ao prato foi mais frequente entre aquelas que não seguiam dieta para hipertensão, não consumiam frutas e não consumiam vegetais.
A pesquisa também observou uma associação entre o comportamento e uma maior participação de alimentos ultraprocessados nas refeições, além da residência em áreas urbanas.
De acordo com os autores, a exposição frequente a alimentos ricos em sódio pode influenciar preferências alimentares relacionadas ao sabor salgado, hipótese levantada para ajudar a compreender os resultados encontrados.
Excesso de sal continua sendo preocupação
O sal é a principal fonte de sódio da alimentação. Embora o nutriente seja necessário para diversas funções do organismo, o consumo excessivo está associado ao aumento da pressão arterial e ao maior risco de doenças cardiovasculares e renais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo de 5 gramas de sal por dia. No entanto, dados citados pelos pesquisadores mostram que a ingestão mediana de sódio entre adultos brasileiros foi estimada em 2.432 miligramas por dia, quantidade equivalente a cerca de 6,1 gramas de sal.
O estudo destaca ainda que o uso discricionário de sal — categoria que inclui o sal adicionado durante o preparo dos alimentos e também à mesa — pode representar entre 6% e 20% do consumo total do ingrediente.
Os autores ressaltam que a pesquisa não permite determinar relações de causa e efeito, pois foi baseada em dados coletados em um único momento. Ainda assim, por utilizar uma amostra representativa da população idosa brasileira, o trabalho ajuda a identificar grupos nos quais estratégias de redução do consumo de sal podem ser mais necessárias.
Para os pesquisadores, compreender os fatores associados ao hábito de adicionar sal à comida pode contribuir para o desenvolvimento de ações de educação alimentar voltadas ao envelhecimento saudável e à prevenção de doenças relacionadas ao consumo excessivo de sódio.