Câncer de colo do útero: novo guia orienta mudanças no papanicolau
Documento atualizado orienta profissionais de saúde sobre substituição gradual do papanicolau pelo teste molecular de HPV no SUS
atualizado
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A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8/1) uma versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero com foco nas mudanças recentes nas estratégias de rastreamento da doença no Brasil.
O material foi elaborado para orientar profissionais de saúde durante a transição do exame citológico, conhecido como papanicolau, para o teste molecular de DNA do papilomavírus humano (HPV), processo que já começou a ser implementado no Sistema Único de Saúde (SUS).
Câncer de colo do útero
- O câncer de colo do útero, também chamado de câncer cervical, se desenvolve nas células da parte inferior do útero, chamada colo uterino.
- É o tumor ginecológico mais comum no Brasil e a causa mais comum de morte por câncer em mulheres na América Latina.
- A maioria dos casos está relacionada à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano).
- Na fase inicial, a doença geralmente não apresenta sintomas.
- No entanto, à medida que o câncer progride, podem ocorrer sangramento vaginal irregular, corrimento com mau cheiro ou cor diferente, dor pélvica ou durante a relação sexual, entre outros sintomas.
A primeira edição do guia, publicada em 2022, reunia informações sobre vacinação contra o HPV e o rastreamento baseado na citologia, método que era o padrão até então. Desde então, tanto as políticas de imunização quanto as diretrizes de detecção precoce passaram por atualizações, exigindo a revisão do documento.
Mudança gradual no método de rastreamento
A principal novidade do guia é a incorporação das recomendações das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
As normas preveem a substituição progressiva do papanicolau pelo teste de DNA-HPV, que identifica diretamente a presença de tipos do vírus associados ao desenvolvimento do câncer.
Os testes moleculares para detecção do HPV oncogênico passaram a integrar o SUS em 2024. A implementação ocorre de forma escalonada e começou por municípios de 12 estados, que estão em diferentes fases de adoção da nova estratégia.
O Ministério da Saúde já iniciou conversas com outros estados para ampliar o alcance da tecnologia. Enquanto o teste molecular não estiver disponível em determinadas regiões, o rastreamento por citologia segue valendo.
Quem deve fazer o exame e com que frequência
O público-alvo do rastreamento permanece o mesmo. Mulheres entre 25 e 64 anos devem realizar os exames preventivos, independentemente do método disponível.
A decisão de manter essa faixa etária levou em conta a experiência acumulada no país e a necessidade de evitar a coexistência de dois modelos distintos dentro da mesma unidade de saúde.
A periodicidade, porém, muda conforme o tipo de teste. Quando o rastreamento é feito por citologia, o exame deve ser repetido a cada três anos, após dois resultados negativos obtidos com intervalo anual.
Já nos locais onde o teste de DNA-HPV está disponível, o intervalo pode ser ampliado para cinco anos após um resultado negativo, conforme descrito no guia.
Vacinação segue como pilar da prevenção
O documento reforça que o rastreamento não substitui a vacinação contra o HPV, considerada uma das principais ferramentas para reduzir a incidência do câncer de colo do útero. A vacina quadrivalente está disponível gratuitamente no SUS desde 2014 e protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus.
Atualmente, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única. Também estão incluídos grupos prioritários, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de PrEP e pacientes com papilomatose respiratória recorrente, que seguem esquemas específicos.
O Programa Nacional de Imunizações mantém até o primeiro semestre de 2026 uma ação voltada a adolescentes de até 19 anos que não foram vacinados na idade recomendada.
O guia destaca ainda que a vacina é segura, não estimula o início precoce da vida sexual e já teve centenas de milhões de doses aplicadas no mundo, com eventos adversos geralmente leves.






