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Saúde

Gordura de óleo comum pode acelerar câncer de mama agressivo

Pesquisadores observaram que o ácido linoleico ativa uma proteína chamada mTORC1, essencial para o crescimento e proliferação celular

22/04/2025 10:58
Getty Images
Garrafas de óleo amarelo (óleo de soja, óleo de girassol) vendidas na prateleira do supermercado. Metrópoles

Pesquisadores identificaram um mecanismo que pode explicar a ligação entre a dieta e o crescimento de tumores agressivos de mama. O responsável seria o ácido linoleico, gordura encontrada em óleos vegetais amplamente consumidos no Brasil, como o de soja e o de cártamo.

O estudo, conduzido por cientistas da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, e publicado na revista Science em 14 de março, mostrou que essa gordura do tipo ômega-6 pode ativar uma via de crescimento celular envolvida no câncer de mama triplo negativo — um dos tipos mais difíceis de tratar, por não responder a hormonioterapia nem a medicamentos específicos.

Como a gordura influencia o tumor?

Em experimentos com células e com camundongos, os pesquisadores observaram que o ácido linoleico ativa uma proteína chamada mTORC1, essencial para o crescimento e proliferação celular. Mas isso só ocorreu em tumores triplo negativos.

A explicação está na presença de uma outra proteína, a FABP5, encontrada em maior quantidade nesse subtipo de câncer. Ela atua como uma espécie de “ponte” entre o ácido linoleico e a ativação da via mTORC1, promovendo um ambiente mais favorável ao avanço da doença.

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Animais com câncer de mama triplo negativo alimentados com dietas ricas em ácido linoleico apresentaram níveis mais altos de FABP5, maior atividade da mTORC1 e tumores de crescimento acelerado.

Implicações para a alimentação e o tratamento

Além de confirmar a ação direta dessa gordura no crescimento do tumor, os cientistas encontraram níveis elevados de FABP5 e de ácido linoleico no sangue de pacientes recém-diagnosticadas com câncer de mama triplo negativo. Isso indica que a proteína pode funcionar como um biomarcador, capaz de orientar tanto tratamentos quanto recomendações nutricionais mais personalizadas.

“Nosso estudo mostra como um nutriente da dieta pode impactar diretamente o crescimento do câncer, e oferece pistas de como adaptar a alimentação de acordo com o tipo de tumor”, afirmou o autor sênior da pesquisa, John Blenis, em comunicado.

Efeitos além do câncer de mama

Embora o foco da pesquisa tenha sido o câncer de mama, os autores destacam que a mesma via de sinalização ativada pela FABP5 pode estar envolvida em outros tumores agressivos, como alguns tipos de câncer de próstata.

Os achados também levantam questões sobre o papel do ácido linoleico em doenças crônicas como obesidade e diabetes, já que o mTORC1 regula funções metabólicas amplas no organismo.

O que isso significa na prática?

Embora não se trate de uma recomendação para cortar completamente esses alimentos, o estudo levanta a possibilidade de que, em alguns casos, especialmente em pacientes com câncer triplo negativo, o consumo excessivo dessas gorduras possa ser prejudicial.

Para os cientistas, o próximo passo é investigar se a redução do ácido linoleico na dieta pode impactar positivamente o tratamento e a progressão do câncer.

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