Uso de gordura de cadáver em procedimentos estéticos preocupa médicos

Procedimento estético cresce nos EUA, mas Cremesp diz que faltam estudos e aponta riscos como inflamação, infecção e outras complicações

atualizado

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Mateus Andre/Freepik
Seringa de plástico sobre fundo verde. Metrópoles
1 de 1 Seringa de plástico sobre fundo verde. Metrópoles - Foto: Mateus Andre/Freepik

Uma nova técnica estética que utiliza gordura humana de doadores falecidos para preenchimentos corporais tem ganhado espaço em clínicas nos Estados Unidos e despertado preocupação entre especialistas.

O método é divulgado como alternativa menos invasiva para aumento de glúteos, seios e outras regiões, mas entidades médicas alertam para a falta de comprovação científica sobre segurança e eficácia.

O procedimento envolve o AlloClae, produto desenvolvido pela Tiger Aesthetics a partir de gordura humana doada, processada e esterilizada para uso como preenchedor.

A proposta é evitar a retirada de gordura do próprio paciente, etapa comum em enxertos autólogos, e permitir uma aplicação mais rápida, com recuperação considerada mais simples.

Mesmo com valores elevados — que variam de cerca de US$ 10 mil a US$ 100 mil, o equivalente aproximadamente entre R$ 52 mil e mais de R$ 500 mil — e ainda sem validação científica, clínicas norte-americanas relatam procura crescente.

O material é utilizado principalmente para contorno corporal e tem sido apresentado como alternativa prática para quem busca resultados estéticos sem recorrer à cirurgia tradicional.

Imagem mostra o produto alloclae, gordura humana de doadores falecidos. Metrópoles
O produto AlloClae foi desenvolvido pela Tiger Aesthetics

Entidade médica alerta para riscos

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) se manifestou sobre o tema e destacou que ainda não existem estudos clínicos robustos que comprovem a segurança e a eficácia desse tipo de procedimento.

A entidade também chamou atenção para possíveis complicações associadas ao uso do material. Entre os riscos citados estão reações inflamatórias, formação de nódulos, infecções e até embolização. Segundo o conselho, a prática ainda carece de pesquisas que sustentem sua adoção ampla na medicina estética.

Em nota, o órgão reforça a necessidade de cautela na divulgação dessas técnicas. “Não existem estudos científicos robustos que comprovem a segurança e eficácia do procedimento”, informou o Cremesp.

A entidade também lembrou que o Código de Ética Médica proíbe divulgação sensacionalista de tratamentos ou a promessa de resultados sem comprovação científica. Procedimentos experimentais, segundo o conselho, devem permanecer restritos ao meio científico até que haja validação adequada.

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