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Claudia Meireles

Saiba por que os produtos de beleza no Brasil estão ficando tão caros

Por que os produtos de beleza estão encarecendo e como isso impacta consumidores, marcas independentes e novo comportamento de consumo

24/11/2025 17:14, atualizado 24/11/2025 17:41
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Saiba por que os produtos de beleza no Brasil estão ficando tão caros

No último ano, o mercado brasileiro de beleza — um dos maiores do mundo — viveu uma escalada de preços que não passou despercebida nem pelos apaixonados por skincare, nem pelos profissionais da área. Séruns que antes custavam R$ 70 hoje ultrapassam R$ 120; máscaras capilares de R$ 30 já duplicaram o valor; itens de maquiagem antes considerados básicos tornaram-se pequenos investimentos. Mas o que está por trás desse movimento crescente?

O segmento de cosméticos se mantém forte apesar de aumento nos valores

Um aumento que vai além do luxo

Embora o interesse por marcas premium e dermocosméticos siga em alta, o fenômeno não se restringe ao segmento sofisticado e atravessa todo o setor.

“A cadeia produtiva da beleza ficou mais cara. Matérias-primas importadas, ativos de alta performance, embalagens especiais e até energia e logística sofreram aumentos”, explica Joielle Mendonça, farmacêutica especialista em estética e desenvolvimento de dermocosméticos.

A profissional destaca que muitos ingredientes utilizados no Brasil vêm da Ásia e da Europa, regiões que ainda lidam com instabilidades na cadeia global de suprimentos.

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“Quando o frete encarece ou quando há escassez de um ativo, o preço final sobe. E isso acontece em cascata: atinge o fabricante, o distribuidor, o salão, o consultório e, por fim, o consumidor.”

Outro fator é o avanço tecnológico dos produtos.

“Quanto mais funcional e seguro um cosmético precisa ser, mais complexa é sua formulação. Isso aumenta o custo de pesquisa, testes, registro e produção”, completa.

E mesmo assim… Seguimos comprando

Apesar da alta generalizada, o consumo de beleza cresceu no Brasil. O país é o quarto maior mercado do mundo, segundo a Euromonitor, e se mantém resiliente mesmo diante da inflação.

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Produtos de autocuidado
Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Inflação Geral
Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Oscilações Cambiais
Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Demanda Aquecida
Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Tendências de Mercado
Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Custos Logísticos Elevados
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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Custos Logísticos Elevados

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Produtos de autocuidado
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Produtos de autocuidado

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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Inflação Geral
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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Inflação Geral

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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Oscilações Cambiais
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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Oscilações Cambiais

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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Demanda Aquecida
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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Demanda Aquecida

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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Tendências de Mercado
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Fatores que Contribuem para o Encarecimento: Tendências de Mercado

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Para Arides César, especialista no setor financeiro e consultor, isso tem explicação:

“A beleza é vista como investimento em autoestima. Mesmo quando o bolso aperta, o brasileiro corta jantar fora, mas não corta o hidratante ou a escova da semana”.

Ele observa ainda uma mudança no comportamento do consumidor: mais informação, mais exigência e menos impulsividade.

“As pessoas pesquisam mais, comparam composição, analisam custo-benefício. O consumidor médio hoje entende o que é niacinamida, ácido salicílico e FPS híbrido. Isso muda a forma de consumir.”

Esse movimento reforça um fenômeno já conhecido no setor: o “efeito batom”. Em tempos turbulentos, gastamos menos com grandes luxos, mas mantemos pequenos rituais que trazem prazer imediato.

O “efeito batom” é uma teoria econômica e psicológica que descreve um aumento no consumo de bens de luxo acessíveis e de baixo custo, como maquiagem e cosméticos, durante crises econômicas

Status, identidade e “luxo possível”

Enquanto produtos premium ficam cada vez mais caros — e desejados —, surge no Brasil uma nova tendência: o “luxo silencioso” da beleza.

“O consumidor não quer apenas um frasco bonito. Ele quer resultados, ciência e experiência sensorial”, diz Joielle. “Hoje, status não é só mostrar a marca, mas mostrar a pele saudável, o cabelo tratado e o glow natural.”

Essa lógica explica por que dermocosméticos, procedimentos minimamente invasivos e produtos com ativos potentes ganharam espaço. São luxos que cabem no orçamento de uma forma mais acessível que uma bolsa de grife, mas que entregam distinção simbólica.

A pressão sobre pequenas marcas e profissionais

Na outra ponta, pequenas marcas e profissionais autônomos enfrentam desafios inéditos.

“Para salões e clínicas, tudo encareceu: luvas, descartáveis, equipamentos, aluguel, taxas…”, afirma Arides. “Quem não tem gestão financeira estruturada acaba repassando demais ao cliente — ou ficando no prejuízo.”

Marcas independentes também sofrem: sem grande volume de compra e sem capacidade de estocar matérias-primas, os reajustes chegam mais rápido e com mais força.

Ainda assim, o mercado não desacelera. Pelo contrário: cresce apoiado por inovação, TikTok, atendimento personalizado e um consumidor mais engajado.

Beleza cara, mas e irresistível

Mesmo diante de preços que sobem, o fascínio pela beleza permanece intacto no Brasil. Pelo autocuidado, pelo status ou pelo conforto emocional, seguimos comprando, testando e buscando novas formas de brilhar.

No fim das contas, o desejo é sempre o mesmo: sentir-se bem. E esse luxo — silencioso ou não — continua irresistível para a maioria dos consumidores.

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