Gordura bege pode melhorar função vascular e pressão, indica estudo

Diferentemente da gordura branca, a mais predominante no corpo e prejudicial em excesso, a bege pode deixar função vascular mais saudável

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Tecido adiposo humano visto ao microscópio para fins educacionais de fisiologia. Queima de calorias. Metrópoles
1 de 1 Tecido adiposo humano visto ao microscópio para fins educacionais de fisiologia. Queima de calorias. Metrópoles - Foto: tonaquatic/Getty Images

Em análise realizada em camundongos, pesquisadores descobriram que a gordura bege em volta dos vasos sanguíneos pode ter papel fundamental para controlar a pressão arterial e deixar a função vascular mais saudável, mesmo em casos de obesidade. 

De acordo com os pesquisadores, a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de medicamentos para ativar tecidos adiposos mais termogênicos, como a gordura bege, o que torna o organismo mais saudável e previne doenças cardiovasculares.

O trabalho liderado por pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, é mais um dentre outros que evidenciam a importância de saber, além da quantidade, o tipo de gordura predominante no organismo, visto que algumas têm papel essencial para o metabolismo. Os resultados foram publicados em 15 de janeiro na revista Science.


Tipos principais de gordura no organismo

  • Gordura branca: o tipo mais comum de gordura corporal e presente sob a pele e região visceral; é utilizada para fornecer energia e proteger os órgãos, mas em excesso causa inflamação e doenças.
  • Gordura marrom: presente em quantidades bem menores no corpo, entre cerca de 50 e 200 gramas, tem como função principal queimar as calorias para produzir calor e manter o corpo aquecido.
  • Gordura bege: tipo de tecido adiposo que se origina da gordura branca, mas pode ser estimulado por fatores, como o gene PRDM16, para aumentar sua quantidade de mitocôndrias e ter atributos semelhantes aos da marrom.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores modificaram geneticamente ratos para não terem gordura bege, retirando do organismo deles o gene PRDM16. Ele tem atuação importante para regular a expressão gênica na transformação do tecido adiposo branco em bege.

Mesmo sem obesidade, os animais sem a presença da proteína sofreram com processos responsáveis por alterar os vasos sanguíneos e dificultar a circulação, como vasoconstrição e fibrose vascular, além de ficarem com a pressão arterial mais elevada.

Assim, os cientistas concluíram que o aumento ou estabilização do PRDM16 pode ativar a transformação do tecido adiposo em bege ou marrom e trazer vantagens cardiovasculares. 

Apesar dos resultados promissores, especialistas brasileiros ainda pregam cautela antes de qualquer desdobramento em relação a humanos.

“O estudo demonstrou que a gordura bege localizada ao redor dos vasos sanguíneos contribui para manter os vasos mais saudáveis e flexíveis. Os achados são promissores do ponto de vista científico, mas ainda não comprovados em humanos. A pesquisa foi realizada principalmente em modelos animais e ainda não se traduz em um tratamento disponível”, ressalta o médico cardiologista Daniel Petlik, do Einstein Hospital Israelita.

Para o especialista, a principal mensagem que o trabalho reforça é de que nem toda gordura é igual. “Mais importante do que a quantidade de gordura é onde ela está localizada e como ela funciona. Esse conhecimento abre caminho para novas pesquisas e possíveis tratamentos no futuro”, avalia Petlik, que também é membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Hábitos podem estimular a transformar a gordura em bege no corpo?

Segundo o médico endocrinologista Bruno Gelonezze, isso ainda não é possível de forma direta e eficaz. Alguns estudos sobre a capsaicina, uma substância presente nas pimentas, mostram que ela pode estimular a presença da gordura bege e marrom, mas ainda em efeitos muito pequenos para gerar impactos clínicos relevantes.

No entanto, o mecanismo da substância abre espaço para novas pesquisas futuras. Gelonezze é pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e revela que trabalhos sobre gordura bege já estão em andamento.

“Na Unicamp, por exemplo, existem diversos estudos com tecido adiposo marrom e bege, tanto em animais quanto em humanos. Há patentes em desenvolvimento para medicamentos que possam estimular esses tecidos, mas essa aplicação clínica ainda está distante”, diz o especialista que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Fazer exercícios físicos com regularidade, controlar o peso e ter hábitos saudáveis também são fatores que podem ajudar. Em contrapartida, o tabagismo, diabetes e o envelhecimento podem atrapalhar a presença da gordura bege. 

“No futuro, é possível imaginar estratégias que, em vez de desativar determinados genes, promovam sua hiperexpressão ou hiperativação, gerando benefícios não apenas para obesidade e diabetes, mas também para doenças cardiovasculares”, finaliza Gelonezze.

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