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Saúde

Gordura abdominal e baixa vitamina D dobram risco de morte após os 50

Estudo com mais de 5,5 mil pessoas mostra que a combinação aumenta em 123% o risco de morte em comparação com quem não tem as duas condições

29/07/2026 12:37
Unsplash
Close-up das mãos de uma pessoa segurando a própria barriga com gordura. Gordura abdominal. Metrópoles

A combinação entre gordura abdominal e deficiência de vitamina D pode mais do que dobrar o risco de morte em pessoas com mais de 50 anos. A conclusão é de um estudo publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism em 6 de maio, que acompanhou mais de 5,5 mil adultos durante seis anos.

Os pesquisadores verificaram que, embora cada condição já aumente o risco de mortalidade de forma isolada, a associação entre as duas representa um risco ainda maior.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London, no Reino Unido, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A pesquisa acompanhou 5.520 participantes com 50 anos ou mais que fazem parte do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos sobre envelhecimento do mundo.

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Os resultados mostraram que pessoas com obesidade abdominal e deficiência de vitamina D apresentaram um risco de morte 123% maior do que aquelas que não tinham nenhuma dessas condições. Quando avaliadas separadamente, a obesidade abdominal elevou o risco de morte em 47%, enquanto a deficiência de vitamina D aumentou esse risco em até 81%.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que as duas condições potencializam seus efeitos quando ocorrem ao mesmo tempo.

Por que essa combinação preocupa

De acordo com o coordenador do estudo, Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, a gordura acumulada na região abdominal dificulta a ação da vitamina D no organismo.

Isso acontece porque parte da vitamina fica armazenada nas células de gordura e deixa de circular pelo sangue, onde desempenha funções importantes para diferentes órgãos.

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Além disso, pessoas com obesidade apresentam menor atividade de enzimas responsáveis pelo metabolismo da vitamina D, reduzindo ainda mais sua disponibilidade.

“A obesidade abdominal reduz a vitamina D circulante e essa deficiência, por sua vez, prejudica o sistema imunológico, agravando a inflamação crônica já causada pelo excesso de gordura e elevando drasticamente o risco de mortalidade”, explica Alexandre em comunicado.

Os pesquisadores destacam que esse quadro é ainda mais preocupante após os 50 anos, quando o organismo já passa naturalmente por um processo de inflamação crônica de baixa intensidade relacionado ao envelhecimento.

Vitamina D influencia diferentes funções do organismo

Segundo os autores, a vitamina D participa da regulação da pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema imunológico, do sistema nervoso e do sistema endócrino.

Em estudos anteriores, a mesma equipe já havia mostrado que a deficiência do hormônio está associada à perda de força muscular, redução da velocidade da caminhada, maior dependência nas atividades do dia a dia e aumento do risco de declínio cognitivo.

Próximos passos

Os pesquisadores afirmam que acompanhar os níveis de vitamina D e controlar o excesso de gordura abdominal pode ajudar a reduzir o risco de complicações relacionadas ao envelhecimento.

Segundo a equipe, novos estudos ainda serão importantes para compreender melhor como essa interação contribui para o desenvolvimento de doenças e para avaliar as melhores estratégias de prevenção.