“Foi desesperador”, conta mãe de brasiliense que teve síndrome de Kawasaki

Uma doença inflamatória rara que vem sendo relacionada à Covid-19 deixou em pânico uma família de Águas Claras

atualizado 31/05/2020 9:31

A mãe Narla e a filha Bela se divertemReprodução/Intagram Narla

Uma síndrome inflamatória rara que pode ser desencadeada por uma infecção viral e vem sendo relacionada à Covid-19 deixou em pânico os pais da brasiliense Bela de Oliveira do Amaral Silva, de apenas dois anos.

A aflição da família, que mora em Águas Claras, começou no domingo (19/04), um dia depois de a criança ter tomado a vacina contra influenza. A primeira suspeita – quando Bela apresentava apenas febre – foi de uma infecção bacteriana. Atendida em um pronto-socorro, foi medicada e voltou para casa, mas, em seguida, começou a apresentar manchas vermelhas pelo corpo.

A pediatra da confiança da família, Carolina Arantes, trocou o remédio, suspeitando que as manchas eram uma alergia ao composto. Mas o quadro não evoluiu. Ao contrário, piorou.

“As manchas passaram a ser muito maiores. E, nesse tempo, a febre não cedia. Os olhos começaram a ficar inchados, a boca vermelha, ela começou a sentir dor no corpo todo”, relata a mãe de Bela, Narla Raiany de Oliveira do Amaral Silva, 33 anos.

A pediatra Carolina estava alerta, acompanhando a paciente diariamente apesar da distância imposta pelo isolamento social. “Já era o segundo remédio e não dava efeito. Outros sintomas apareceram, comecei a suspeitar que pudesse ser a síndrome de Kawasaki”, relata a médica. Na sexta-feira (24/04), Carolina fechou o diagnóstico da paciente por meio de uma tele-consulta e pediu que a família buscasse imediatamente o pronto-socorro do Hospital Santa Luzia.

Naquele dia, Bela já apresentava a maioria dos sintomas da doença – a Kawasaki é caracterizada por febre persistente, manchas no corpo, íngua na região do pescoço e lábios vermelhos e inchados. Ao chegar ao hospital, a criança foi encaminhada para a UTI da unidade e começou o tratamento com imunoglobulina.

“Nesse período, a Bela estava com tantos sintomas que, se abrisse a boquinha dela, já saia sangue”, relata a mãe.

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Doença rara

No pronto-socorro do Santa Luzia, os pais encontraram a doutora Caroline Graça, que é especializada em reumatologia. “O quadro dela era uma clara manifestação da doença de Kawasaki: é uma síndrome incomum, mas que já está bem descrita pela ciência”, explica.

A Kawasaki é uma espécie de pane no sistema imunológico, uma “informação errada” leva as células de defesa a atacarem os vasos sanguíneos do corpo. Nas manifestações mais graves, ela pode levar o paciente à morte. Com dois dias de internação, o quadro de Bela foi controlado e ela recebeu alta, mas terá que fazer um acompanhamento médico detalhado de longo prazo: é preciso confirmar que não há sequelas.

Como está tomando anti-coagulantes, não é recomendado que a criança frequente a escola e os pais, pela saúde dela, estão tentando cancelar a matrícula. “A Bela pode brincar, porque está com o sistema cardiovascular bem, mas tem que ter cuidado porque não pode se machucar. É bom ficar distante de outras crianças e, por isso, vamos tirá-la do colégio”, relata Narla.

Covid-19?

As complicações de saúde de Bela aconteceram poucos dias antes das autoridades de saúde do Reino Unido alertarem para um aumento repentino de casos semelhantes à síndrome de Kawasaki em crianças no país. De acordo com os especialistas, estes casos poderiam estar relacionados à epidemia de Covid-19.

Pouco tempo depois, o mesmo alerta foi dado por associações médicas dos Estados Unidos e da França e um caso semelhante levou ao falecimento de um paciente no hospital Albert Einstein em São Paulo. Ao ver as notícias, a mãe de Bela ligou para as médicas, que aconselharam a realização de exames para a Covid-19. O pai da criança, que havia estado em Porto Alegre e manifestado sintomas de gripe, também foi testado. Ambos exames, entretanto, deram negativos.

O que pode ter desencadeado a Kawasaki na pequena moradora de Águas Claras? Provavelmente, não saberemos. Uma hipótese é que a vacina contra influenza tomada um dia antes dos primeiros sintomas tenha sido um gatilho para a reação do corpo. “A Kawasaki é uma resposta inflamatória exacerbada, ela acontece em reação a uma infecção viral geralmente”, explica Caroline Graça.

Outra é que os testes dela e do pai tenham dado falso negativo para a Covid-19, os exames foram realizados algum tempo depois da manifestação dos sintomas. Para a família, o importante é que a menina está bem.

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