FDA aprova medicamento que dobra sobrevida em câncer de pâncreas
Remédio oral mostrou ganho de meses de vida em estudo com pacientes metastáticos e já pode ser usado nos EUA em casos selecionados

A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou um novo tratamento para câncer de pâncreas, uma das doenças com menor taxa de sobrevivência. O medicamento, chamado daraxonrasib e vendido como Rasonque, é indicado para pacientes com doença metastática em situações específicas.
A decisão se baseia em um ensaio clínico de fase 3 com cerca de 500 participantes. No estudo, o uso do comprimido praticamente dobrou a sobrevida mediana em comparação com a quimioterapia convencional.
“A aprovação de hoje oferece uma nova opção crucial para pacientes que enfrentam um câncer extraordinariamente difícil e historicamente difícil de tratar”, afirmou o comissário interino da FDA, Kyle Diamantas.
Como funciona o tratamento
O daraxonrasib é administrado uma vez por dia e atua sobre a proteína RAS, envolvida no crescimento de tumores. Alterações nessa proteína estão presentes na maioria dos casos de câncer de pâncreas. Durante décadas, essa proteína foi considerada um desafio para a oncologia. O novo medicamento atua justamente nesse ponto, e chamou a atenção da comunidade médica quando os dados foram apresentados durante a ASCO Annual Meeting 2026.

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Ver todasNo estudo, pacientes que receberam o comprimido tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,6 meses no grupo tratado com quimioterapia. O risco de morte caiu cerca de 60%.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaAlém disso, o tempo até a progressão da doença também foi maior, passando de 3,5 meses para 7,3 meses. Cerca de 31% dos pacientes tratados com o remédio apresentaram redução do tumor, frente a 11,2% no grupo controle.
Quem pode usar
A aprovação vale para adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já passaram por pelo menos um tratamento anterior ou que não podem receber combinações mais intensas de medicamentos.
Outro dado observado foi a taxa menor de interrupção por efeitos colaterais. Apenas 1,2% dos pacientes que usaram o comprimido precisaram suspender o tratamento, contra 11,2% entre os que fizeram quimioterapia.
O que muda na prática
O novo tratamento não representa uma cura, mas pode oferecer mais tempo de vida em um cenário com poucas opções terapêuticas. Os resultados também reforçam o interesse em terapias direcionadas à proteína RAS, que pode estar envolvida em outros tipos de câncer.
A aprovação ocorreu antes do prazo previsto pela própria agência, o que indica prioridade na análise. Para especialistas, o dado reforça a relevância clínica dos resultados apresentados.


















