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Saúde

Fãs de heavy metal podem ser capazes de tolerar a dor por mais tempo

Estudo em festival mostra que exposição ao gênero não reduz a dor, mas aumenta o tempo de tolerância e pode ter implicações para dor crônica

26/08/2026 12:48
Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences
Festival de heavy metal Wacken Open Air em 2023. Estudo sobre dor. Metrópoles

A experiência de um festival de heavy metal pode alterar a forma como o corpo lida com a dor. Um estudo feito na Alemanha indica que fãs do gênero conseguem suportar estímulos dolorosos por mais tempo após dias de shows, ainda que a sensação em si não diminua.

A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports em 20 de agosto, foi conduzida durante o Wacken Open Air em 2023, um dos maiores festivais de metal do mundo. Ao todo, 122 participantes passaram por um teste de resistência à dor com água gelada, enquanto tinham a frequência cardíaca monitorada.

Os resultados mostram que, depois da vivência no evento, os participantes mantiveram a mão submersa por mais tempo em comparação com um grupo avaliado antes do início dos shows.

O estudo partiu da hipótese de que emoções como a raiva poderiam interferir na forma como a dor é vivenciada. O heavy metal, que frequentemente expressa esse tipo de sentimento, foi usado como contexto para testar essa relação.

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Como a dor foi medida

No experimento, os voluntários colocaram a mão e o antebraço em um recipiente com água extremamente fria. O tempo até retirar o braço foi usado como medida de tolerância à dor.

Antes disso, os pesquisadores registraram a atividade cardíaca por eletrocardiograma. A análise considerou também a variabilidade da frequência cardíaca, um indicador ligado à regulação do sistema nervoso.

Para evitar interferências, os cientistas analisaram separadamente os participantes que não consumiram álcool ou ingeriram apenas pequenas quantidades, já que a substância pode alterar a resposta à dor.

Mais tolerância, mesma intensidade

Apesar de suportarem a dor por mais tempo, os participantes não relataram redução na intensidade ou no desconforto causado pelo estímulo.

“Os participantes não acharam a dor menos desagradável. Eles apenas conseguiram suportá-la por um período maior”, afirmou a pesquisadora Lydia Schneider, do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e Cerebrais Humanas, em comunicado.

Segundo a equipe, o resultado sugere maior aceitação da sensação dolorosa. Em vez de alterar a percepção, a experiência pode ter influenciado a forma como os participantes reagem ao estímulo.

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Para os pesquisadores, lidar com emoções desagradáveis de forma direta pode ter efeito na tolerância à dor. Isso inclui a capacidade de adiar a reação ao desconforto, como retirar a mão da água gelada.

“O extravasamento da raiva pode ser relevante para pessoas com dor crônica, já que esse tipo de emoção está associado ao aumento da dor quando reprimido”, explicou Lydia.

Possíveis aplicações clínicas

Os achados indicam que a música pode ser considerada em estratégias como formas de lidar com a dor. Em geral, abordagens clínicas priorizam sons relaxantes, mas o estudo sugere que outros estilos também podem contribuir.

Segundo o pesquisador Tom Fritz, que participou do estudo, esse tipo de música pode atuar de forma diferente nesse contexto.

“Em um contexto clínico, a música costuma ser usada para induzir relaxamento, mas, quando se trata de extravasar a raiva, você não necessariamente quer ouvir algo relaxante. Aceitar emoções desagradáveis pode contribuir para a tolerância à dor”, afirmou.

A proposta não substitui tratamentos médicos, mas aponta uma possibilidade para abordagens que levem em conta o papel das emoções na experiência da dor.