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Saúde

Estudo mostra que parasita da malária adquiriu resistência a remédios

Análise genética mostra que parasita combina mutações contra medicamentos novos e antigos, desafiando o tratamento em diferentes regiões

08/08/2026 17:48
Joao Paulo Burini/Getty Images
Imagem em close-up de um mosquito da febre amarela picando a pele humana. Trata-se de um mosquito da família Culicidae, vetor da malária, febre amarela, chikungunya, dengue e zika no Brasil, conhecido localmente como mosquito da dengue. Metrópoles

A resistência da malária aos medicamentos está se tornando mais complexa. Um estudo publicado na revista Nature Microbiology em 5 de agosto analisou o material genético do Plasmodium falciparum — parasita responsável pela forma mais grave da doença – e encontrou um conjunto de mutações que podem dificultar o controle da infecção.

A malária segue entre as doenças infecciosas que mais matam no mundo, com maior risco para crianças pequenas, especialmente na África. Embora exista tratamento, o parasita pode desenvolver resistência a diferentes remédios ao longo das últimas décadas.

Os pesquisadores analisaram amostras coletadas entre 2019 e 2023 em diferentes regiões da Etiópia. O objetivo foi identificar alterações genéticas associadas à resistência a medicamentos usados no passado e no presente.

Os dados mostram que mutações antigas continuam presentes. Marcadores ligados à resistência à cloroquina apareceram em mais da metade das amostras analisadas, mesmo depois de o uso do remédio ter sido interrompido contra esse tipo de malária.

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Também foram encontrados sinais de resistência à sulfadoxina-pirimetamina, outro tratamento abandonado. Isso indica que o parasita pode manter adaptações antigas enquanto adquire novas.

Tratamentos atuais também entram no cenário

Além das mutações antigas, o estudo também encontrou mudanças ligadas aos remédios usados hoje. Um dos sinais de resistência à artemisinina apareceu em parte das amostras e foi mais comum em algumas regiões.

Os pesquisadores também identificaram alterações que indicam menor resposta à lumefantrina, presente na maioria dos casos analisados. Esse medicamento faz parte do tratamento padrão, combinado com derivados da artemisinina.

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A análise não avaliou diretamente se os remédios estão falhando, mas sim sinais genéticos de resistência. Mesmo assim, os dados mostram que o parasita reúne diferentes formas de escapar da ação dos medicamentos.

Diferenças entre regiões

Outro ponto importante é que a resistência não aparece do mesmo jeito em todos os lugares. As combinações de mutações mudam de uma região para outra, o que cria cenários diferentes de resposta aos tratamentos.

Em alguns casos, esses sinais surgem juntos. Parasitas com resistência à cloroquina, por exemplo, tinham mais chance de também apresentar resistência à artemisinina, o que pode dificultar ainda mais o controle da doença.

Para os pesquisadores, esse padrão indica que o combate à malária precisa levar em conta diferenças locais, já que uma mesma estratégia pode não funcionar da mesma forma em todas as regiões.

O que os dados indicam

Para os autores, os resultados são vistos como um alerta. A presença de várias mutações ao mesmo tempo indica que o parasita continua se adaptando à pressão dos medicamentos usados ao longo dos anos.

Eles defendem um monitoramento contínuo, que acompanhe tanto as diferentes espécies de parasitas quanto o que acontece em cada região. Isso pode ajudar a ajustar as estratégias de controle e tratamento de acordo com o cenário local.