Casos de dengue caem 75% no Brasil; malária também registra queda

Dados apresentados em evento de vigilância em saúde também indicam redução de malária e novas ações contra doença de Chagas

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Joao Paulo Burini/Getty Images
Mosquito vetor de doenças tropicais que pica a pele humana e suga sangue, conhecido transmissor de chikungunya, dengue e febre amarela, no Brasil é comumente chamado de mosquito da dengue. Metrópoles
1 de 1 Mosquito vetor de doenças tropicais que pica a pele humana e suga sangue, conhecido transmissor de chikungunya, dengue e febre amarela, no Brasil é comumente chamado de mosquito da dengue. Metrópoles - Foto: Joao Paulo Burini/Getty Images

Os casos de dengue registraram queda significativa no Brasil em 2026. Até o início de abril, o país contabilizou cerca de 227,5 mil casos prováveis da doença, número 75% menor do que o observado no mesmo período do ano passado. Os dados foram apresentados nessa terça-feira (14/4) em Brasília durante a 18ª edição da Expoepi, evento voltado à vigilância em saúde.

No mesmo intervalo de 2025, haviam sido registrados mais de 916 mil casos. A redução mantém uma tendência observada após o pico de 2024, quando o país enfrentou um cenário crítico com mais de 6 milhões de registros da doença.

Apesar da melhora nos indicadores, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a dengue ainda representa um dos principais desafios para o sistema de saúde.

“Mesmo com esses avanços, a dengue ainda é a doença que mais nos desafia. Sabemos que há uma grande expectativa em relação à produção de vacinas e ao desenvolvimento de novas alternativas tecnológicas, e seguimos trabalhando para ampliar cada vez mais as ferramentas de prevenção e controle”, pontuou.

Estratégias de controle e vacinação

Segundo o Ministério da Saúde, a redução dos casos está associada ao fortalecimento das ações de vigilância e controle do mosquito transmissor. Entre as medidas adotadas está a ampliação do uso de armadilhas conhecidas como ovitrampas, utilizadas para monitorar a presença do mosquito Aedes aegypti.

Atualmente, a tecnologia está presente em cerca de 1,6 mil municípios e a previsão é alcançar 2 mil cidades até o fim do ano. Outras estratégias incluem o uso de mosquitos estéreis irradiados e a expansão do método Wolbachia, que utiliza bactérias para reduzir a capacidade de transmissão de vírus pelos insetos.

Também houve avanço na vacinação contra a dengue. Mais de 1,4 milhão de doses já foram aplicadas em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público que passou a receber a vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024.

Em 2026, o governo também iniciou testes com uma vacina nacional de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan em três municípios-piloto. A estratégia contempla pessoas de 12 a 59 anos, além de profissionais de saúde.

Queda da malária e ações contra a doença de Chagas

O balanço apresentado durante o evento também aponta avanços no controle de outras doenças infecciosas. Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979.

A redução foi de cerca de 15% em relação ao ano anterior, com queda ainda maior em territórios indígenas. As mortes também diminuíram, passando de 54 para 39 no período analisado.

Entre as ações apontadas como responsáveis pelo resultado estão a ampliação do diagnóstico, o uso de testes rápidos e o tratamento de milhares de pacientes com medicamentos específicos para a doença.

Já no enfrentamento a doença de Chagas, o Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 11,7 milhões para fortalecer a vigilância em 155 municípios de 17 estados. O objetivo é ampliar o monitoramento do inseto transmissor e melhorar a capacidade de resposta em áreas consideradas de maior risco.

As ações fazem parte da estratégia do programa Brasil Saudável, que busca eliminar diversas doenças, como problemas de saúde pública, até 2030.

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