Vacina contra a dengue do Butantan protege por 5 anos, diz novo estudo
Estudo aponta eficácia de 65% da vacina contra casos sintomáticos da dengue e mais de 80% contra formas graves da doença
atualizado
Compartilhar notícia

Uma nova análise sobre a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan indica que o imunizante continua protegendo contra a doença por pelo menos cinco anos depois da aplicação.
A pesquisa, publicada na última quarta-feira (4/3) na revista científica Nature Medicine, avaliou a resposta da vacina ao longo do tempo e mostrou que uma única dose mantém proteção significativa contra a dengue, especialmente contra as formas mais graves da infecção.
Ao todo, mais de 16 mil voluntários com idades entre 2 e 59 anos participaram do estudo. Depois de cinco anos de acompanhamento, a eficácia geral contra a dengue sintomática confirmada por exame foi de 65%.
Além disso, analisando só os casos mais graves — aqueles que apresentam sinais de alarme ou risco de complicações — a proteção foi ainda maior, chegando a 80,5%.
“Uma característica da dengue é que a segunda infecção costuma ser mais grave que a primeira. Por isso, é fundamental garantir que a vacina não funcione como se fosse uma infecção prévia e acabe aumentando o risco de formas graves da doença em quem foi vacinado. O acompanhamento por cinco anos permite observar esse tipo de fenômeno”, explica o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Segundo o especialista, esse mesmo tipo de avaliação já tinha sido feito com a vacina contra dengue desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda, chamada Qdenga.
Nesse caso, os estudos acompanharam os voluntários por vários anos para verificar se a vacina poderia aumentar o risco de formas graves da doença — algo que preocupa os pesquisadores porque, na dengue, a segunda infecção costuma ser mais severa que a primeira.
Os resultados mostraram que isso não aconteceu: pessoas vacinadas não apresentaram maior risco de dengue grave. Agora, segundo os dados mais recentes, o mesmo também foi observado com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, o que reforça ainda mais o perfil de segurança da vacina.
A análise também avaliou o desempenho da vacina em pessoas que tiveram dengue anteriormente e naquelas que nunca foram infectadas: entre participantes com histórico prévio da doença, a eficácia chegou a 77,1%. Já entre aqueles sem contato anterior com o vírus, a proteção foi de 58,9%.
Desafio dos sorotipos diferentes
A dengue é causada por quatro versões diferentes do vírus, conhecidas como sorotipos. A vacina do Butantan foi projetada para estimular a proteção contra todos eles.
No entanto, durante o período em que o estudo foi conduzido no Brasil, só dois desses tipos circularam de forma predominante: DENV-1 e DENV-2. “O estudo foi feito no Brasil, onde circularam principalmente os sorotipos 1 e 2. Por isso, ainda não foi possível confirmar a eficácia contra os sorotipos 3 e 4”, explica Kfouri.
Segundo os especialistas de saúde, análises que já estão em andamento em outros países poderão ajudar a esclarecer esse ponto daqui a algum tempo.

Vacinação não dispensa combate ao mosquito
Mesmo com o avanço das vacinas, os pesquisadores reforçam que o controle do mosquito transmissor continua sendo uma estratégia fundamental.
A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, e sua proliferação está ligada principalmente ao acúmulo de água parada em ambientes urbanos. Nesse contexto, a combinação de vacinação e redução da população do mosquito pode diminuir a circulação do vírus e contribuir para reduzir o impacto da dengue na população.
