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Saúde

Estudo da USP aponta complicações da Covid em pacientes diabéticos

Estudo da USP mostra que indivíduos com diabetes tiveram maiores sequelas cardíacas e motoras devido à chamada Covid longa

29/06/2026 15:18, atualizado 29/06/2026 15:30
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Ilustração do vírus da Covid-19-Metrópoles

De acordo com um estudo feito pela Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Scientific Reports em abril deste ano, pessoas com diabetes que tiveram Covid-19 apresentaram uma recuperação mais lenta da doença e tiveram mais complicações na Covid longa. Por conta disso, precisaram de acompanhamento médico por um período mais longo.

O estudo acompanhou 870 pacientes diabéticos durante sete meses após a internação hospitalar e apontou que os indivíduos, além de demorarem mais para se recuperar do vírus, passaram a ter maiores riscos para doenças cardiovasculares, como infarto e angina, em relação aos pacientes não diabéticos.

Fora esses sintomas, o estudo mostrou também que os pacientes analisados apresentaram pior qualidade de vida, assim como fragilidade elevada, maior incidência de quedas, dificuldade de mobilidade, piora na capacidade de praticar atividades físicas e diminuição de domínios físicos e cognitivos.

Para Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) — complexo hospitalar administrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) —, o diabetes não é apenas um fator de risco para a Covid-19 aguda, mas prejudica a qualidade de vida a longo prazo.

“O estudo deixa muito claro que é necessário um sistema de saúde para essa população com diabetes que foi infectada pelo vírus da Covid-19, a fim de evitar que esses sobreviventes fiquem presos em um ciclo de reinternações”, disse em comunicado.

Metodologia e resultado do estudo

Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram 320 pacientes com diabetes mellitus e 550 sem a doença. Todos fazem parte de um estudo maior, realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que reuniu mais de 3.000 pacientes internados entre março e setembro de 2020, período que corresponde à primeira fase da Covid-19.

Cerca de sete meses depois da alta desses pacientes, eles foram submetidos a uma avaliação médica completa com exames clínicos e laboratoriais. Conforme os resultados, 94,3% dos pacientes sem diabetes apresentaram recuperação completa, enquanto 89,8% dos pacientes com diabetes, não.

Em relação ao sistema cardiovascular, o estudo mostrou que indivíduos com diabetes apresentam um estresse significativo devido ao vírus, pois há uma inflamação do sistema que se agrava por conta da toxicidade do coronavírus, tornando o coração um dos principais alvos.

Referente a problemas com mobilidade, cerca de 21% os pacientes relatam quedas depois da alta hospitalar, enquanto a porcentagem dos não diabéticos foi de 11,1%, quase a metade.

Além disso, o estudo identificou também que 7,3% dos indivíduos sem diabetes que participaram do estudo desenvolveram a doença. Segundo acreditam os pesquisadores, apesar de o vírus da Covid-19 poder ter um papel direto na destruição de células pancreáticas, é provável que a infecção possa ter desencadeado doenças em pessoas que tinham predisposição a ela. “É importante entender como a Covid-19 impacta o diabetes ao longo do tempo”, diz Maria Elizabeth.