Foi exatamente por isso que a jovem americana de Utah, Bella Davis, agora com 21 anos, passou quando engravidou da primeira filha aos 17 anos. Em 2022, ela desenvolveu parosmia, condição rara que altera a forma como os cheiros e gostos são percebidos.
“Não estou nem exagerando quando digo que tudo tinha cheiro e gosto exatamente como você imaginaria que corpos em decomposição teriam”, disse Bella em entrevista ao Daily Mail.
Gravidez e parosmia fizeram com que a jovem recusasse alimentos
Os sintomas de parosmia apareceram logo que Bella engravidou de sua primeira filha, que tem atualmente três anos. Ela começou a perder o interesse por alimentos e até por água, pois sentia cheiro de corpos em decomposição.
No início, a norte-americana passou cerca de três meses sem comer nada e só recebendo nutrição via intravenosa, já que não conseguia suportar o cheiro dos alimentos. “Comer era sempre um sacrifício”, lembra.
Seu olfato e paladar só melhoraram quando ela deu à luz o primeiro filho; porém, em uma proximidade de tempo, ela engravidou do segundo filho e os sintomas voltaram. Novamente, após o parto ela teve uma melhora, mas engravidou pela terceira vez e a parosmia voltou.
“Fiquei arrasada e isso me desanimou muito por um longo tempo. Foi constrangedor e afetou minha qualidade de vida. Eu consegui lidar com isso porque sempre achei que ia passar, mas nunca passou. Comecei a aceitar que essa seria minha vida para sempre”, conta.
Além da alimentação, Bella sofria também com os cheiros. Para ela, sabonetes, velas, perfumes e qualquer outro produto aromático eram extremamente difíceis de suportar.
Por conta da condição e da dificuldade de Bella para se alimentar, ela desenvolveu anemia e hipoglicemia, o que influenciou também sua capacidade de ser mãe.
“Durante minha terceira gravidez, eu tinha que tapar o nariz e engolir 12 ovos cozidos por dia só para conseguir sobreviver. Foi brutal”, relata ela.
Bella Davis com sua primeira filha que tem, atualmente três anos
O que é parosmia
De acordo com uma pesquisa publicada no PubMed, cerca de três milhões de norte-americanos são afetados pela condição rara, que registrou alta na pandemia da Covid-19.
A condição afeta os receptores olfativos do nariz, os quais perdem a capacidade de detectar odores ou os detectam de forma incorreta. Dentre as causas mais comuns estão infecções bacterianas ou virais, como a Covid-19, traumatismo craniano e certas doenças neurológicas.
Na maioria das vezes, o olfato da pessoa afetada volta ao normal; porém, em alguns casos, pode haver uma perda parcial ou permanente.
Tratamento da condição
O tratamento pode variar desde terapia com treinamento olfativo, alteração de fatores ambientais ou até cirurgia para remoção dos receptores olfativos danificados.
Para Bella, o tratamento proposto foi uma terapia que consistia em injetar anestésico nos nervos da base do pescoço que funcionava “reiniciando” o seu sistema nervoso simpático. Esse procedimento, segundo ela, custou cerca de 2 mil dólares e não funcionou.
Vendo-se nessa situação, a jovem americana decidiu aceitar a condição e fez uma oração a Deus para que obtivesse a cura. A partir daí, ela afirma que, de uma hora para outra, sua condição começou a mudar.
Há seis meses, sua parosmia quase desapareceu. “Não consigo explicar minha cura de outra forma senão como obra de Deus. Senti como se, assim que me entreguei completamente e fiz as pazes com a situação, algo mudasse instantaneamente”, relata.
Agora, Bella voltou a sentir boa parte do gosto dos alimentos e aproveita para comer de tudo. “Senti um arrepio quando mordi o hambúrguer. Senti um calafrio por ter um gosto tão normal. Comi tudo e tive que pedir outro; foi uma sensação eufórica”, finaliza.