80 graus: com escoliose grave, mulher precisa reaprender a andar
Após uma complicação durante a cirurgia para tratar escoliose grave, Dilma Baptista dos Santos passou por reabilitação intensiva de anos
atualizado
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Dilma Baptista dos Santos, 65 anos, conviveu por 12 anos com dores crônicas causadas por uma escoliose grave. A curvatura de sua coluna chegou a quase 80 graus e a dor diária exigia o uso de remédios fortes, incluindo metadona, um opioide usado em casos de dor intensa.
“Convivi com dor crônica nível quatro a cinco diária em uma escala de cinco. Era um nível muito alto”, conta Dilma. Antes da cirurgia, ela tentou diferentes tratamentos para aliviar o quadro, como fisioterapia, pilates, analgésicos, procedimentos para dor e aplicação de botox para relaxar a musculatura.
No início, as estratégias ajudaram. Dilma relata que chegou a reduzir a dor, que antes era nível oito, para cerca de três. Com o tempo, porém, o efeito passou a durar menos e a dose de metadona aumentou de 5 mg para 30 mg. “Eu tinha uma vida limitada. Nunca deixei a dor me vencer, mas me limitava bastante”, afirma.
Em 2016, os médicos explicaram que a escoliose tinha começado a comprimir a medula e a cirurgia passou a ser indicada, apesar dos riscos. O procedimento foi feito para corrigir a deformidade da coluna, mas houve uma intercorrência durante a operação.
Dilma perdeu os movimentos da cintura para baixo. Ela passou a usar cadeira de rodas e não havia certeza sobre a possibilidade de voltar a andar. O impacto foi físico e emocional.
A reabilitação começou com tratamento intensivo na AACD, onde Dilma ficou internada por três meses. Com fisioterapia e acompanhamento especializado, conseguiu voltar a andar com apoio de bengala. Ao todo, ela levou cerca de seis anos para se sentir completamente reabilitada.
“A qualidade de vida que tenho é fantástica graças aos meus amigos, à minha família e, principalmente, aos grandes profissionais que me trataram”, diz.
O que é e como identificar a escoliose
A escoliose é uma alteração na curvatura da coluna. O ortopedista Alexander Rossato, do Hospital Ortopédico AACD, explica que os casos mais leves nem sempre são fáceis de perceber.
Os primeiros sinais costumam aparecer como assimetrias no tronco, como um ombro mais alto que o outro, diferença na cintura ou uma das escápulas mais saliente. A condição pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum na adolescência, durante o estirão de crescimento.

O diagnóstico pode ser feito no consultório, com avaliação física e o chamado teste de Adams, no qual o paciente inclina o tronco para frente. Para confirmar o quadro e medir a gravidade da curva, é feita uma radiografia panorâmica da coluna. Segundo Rossato, o diagnóstico precoce é importante porque permite tratar a escoliose antes que a deformidade avance.
“Em curvas de até 20 graus, costuma ser indicada fisioterapia específica. Entre 20 e 45 graus, a fisioterapia pode ser associada ao uso de colete, principalmente quando o paciente ainda está em fase de crescimento. Acima de 45 graus, a cirurgia pode ser indicada”, explica o médico.
Rossato ressalta que a fisioterapia também tem papel importante antes e depois da operação. Em casos mais graves, quando a curva chega a 60 ou 70 graus, a deformidade pode comprometer a respiração, além de causar dor, perda de mobilidade e impacto emocional.
Vida ativa após a reabilitação
Hoje, Dilma tem duas hastes e 21 pinos na coluna. Ela ainda convive com menor sensibilidade nos pés, parestesia nos dois pés e sequela no joelho esquerdo. Por causa disso, participa de corridas de rua andando rápido, mas ainda não consegue correr.
A limitação, no entanto, não impediu a retomada da rotina. Nos últimos três anos, Dilma intensificou as atividades físicas. Faz musculação, pilates, aulas de circo, trilhas e participa de eventos esportivos com amigas. Recentemente, completou uma trilha de 15 km.
“Hoje eu procuro fazer tudo o que não podia anteriormente, estou sempre procurando uma novidade”, afirma. Em abril, ela completou um ano nas aulas de circo. No dia 12 de julho, chegará a uma década da cirurgia. Para Dilma, a reabilitação foi um processo longo, mas transformador. Ela comemora cada avanço como uma conquista, e o próximo objetivo já está traçado: correr.