Equipamentos sem manutenção travam fila de cirurgia renal no IHBDF

Dos quatro aparelhos existentes no Instituto Hospital de Base, apenas um está funcionando. Os outros três passam por reparação

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 16/05/2019 10:08

Os problemas na fila da cirurgia para a retirada de pedras nos rins continuam no Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF). Em 10 de maio, o Metrópoles noticiou que a fila pelo procedimento tinha 17 pessoas. Cinco dias depois, mais pacientes somaram-se à espera e, conforme o relato de três, que contam a mesma versão, apenas aqueles com insuficiência renal ou que só tenham um dos rins são encaminhados para a cirurgia.

Internado com pedras nos rins desde 7 de maio no IHBDF, Anacurí Bezerra Tristão, 41 anos, desistiu da espera e seguirá para a cidade goiana de Catalão, onde pagará R$ 9 mil pelo procedimento em um hospital particular. “Nós fizemos o orçamento no DF e estava em torno de R$ 25 mil. Optamos por ir a Goiás, pois é mais barato”, disse a esposa do paciente, Ana Paula Lacerda, 36 anos.

Segundo ela, profissionais do hospital têm minguado as esperanças de atendimento, e algumas pessoas chegaram a receber alta sem terem retirado os cálculos renais. “Além disso, a médica disse que, das quatro máquinas que fazem o procedimento, três estão estragadas, e a única que funciona demora três horas para esterilizar entre um paciente e outro”, disse.

“Tem gente aqui desde o dia 30 [de abril]. Aqui não era para estar faltando nada, porque eles terceirizaram com a desculpa de que o instituto consegue comprar os materiais com mais agilidade, e isso não está acontecendo”, critica Ana Paula.

Procurada para prestar esclarecimentos sobre os problemas apontados pelos pacientes no meio da tarde de quarta-feira (15/05/2019), a Secretaria de Saúde (SES) informou que sete pacientes com cálculo renal foram operados no último sábado, após a reposição do material que não havia sido entregue pelo fornecedor.

“As cirurgias continuam sendo realizadas, mas a prioridade são os casos graves e de maior complexidade, que compõem o perfil de atendimento realizado pela unidade”, afirmou a Secretaria de Saúde.

O Hospital de Base informou que nem todos os casos de cálculo renal precisam ser operados de imediato e têm indicação cirúrgica. Quanto ao equipamento uteroscópio, utilizado para a remoção dos cálculos, a direção do Base alegou que três estão, no momento, passando por manutenção.

A respeito da situação de Anacurí, a Secretaria de Saúde confirmou que o caso tem indicação cirúrgica, mas pode ser tratado ambulatorialmente.

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