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DNA “lixo” pode ter papel no desenvolvimento do Alzheimer, diz estudo

Pesquisa mapeia sinais genéticos em células do cérebro e ajuda a entender por que o Alzheimer se desenvolve

atualizado

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Doenças genéticas do cérebro, ilustração conceitual por computador. Mutações no DNA que levam a doenças cerebrais. Neurogenética, doenças neurodegenerativas. Metrópoles
1 de 1 Doenças genéticas do cérebro, ilustração conceitual por computador. Mutações no DNA que levam a doenças cerebrais. Neurogenética, doenças neurodegenerativas. Metrópoles - Foto: Dr_Microbe/Getty Images

Um novo estudo indica que partes do DNA antes consideradas sem função podem ter um papel decisivo no desenvolvimento da doença de Alzheimer. A pesquisa identificou mais de 150 sinais de controle genético em astrócitos, células do cérebro que dão suporte aos neurônios e que já vêm sendo associadas à progressão da doença.

O trabalho foi publicado na revista Nature Neuroscience em 18 de dezembro e conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália. Os resultados ajudam a explicar por que os astrócitos deixam de cumprir sua função protetora e passam a contribuir para o dano cerebral observado no Alzheimer.


O que é o Alzheimer?

  • O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
  • Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
  • É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
  • O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

O que são os interruptores do DNA?

Os cientistas analisaram regiões conhecidas como “enhancers” (intensificadores, em português), sequências que funcionam como interruptores capazes de aumentar ou reduzir a atividade dos genes. Esses elementos ficam fora das áreas que codificam proteínas e, por isso, costumam ser chamados de DNA não codificante.

Embora não formem genes propriamente ditos, essas regiões atuam como um sistema de controle fino da atividade genética. Em muitas doenças, as alterações mais relevantes não estão dentro dos genes, mas justamente nessas áreas regulatórias.

Em comunicado, a bióloga molecular e uma das autores do estudo Irina Voineagu explica que, ao investigar condições complexas como o Alzheimer, os pesquisadores frequentemente encontram mudanças nessas regiões intermediárias do DNA, responsáveis por controlar quando e como os genes são ativados.

Como os astrócitos foram analisados no estudo

Para testar a função desses interruptores genéticos, a equipe utilizou a técnica conhecida como CRISPRi, que permite silenciar trechos específicos do DNA sem causar alterações permanentes na sequência genética.

O método foi aplicado em astrócitos cultivados em laboratório, com o objetivo de observar se a desativação dessas regiões alteraria a expressão de genes associados ao Alzheimer.

Ao analisar quase mil regiões candidatas, os pesquisadores confirmaram que cerca de 150 atuavam de fato como intensificadores funcionais. Um dos achados mais relevantes foi que muitos desses interruptores regulavam genes já relacionados ao risco e à progressão do Alzheimer.

Segundo a geneticista molecular Nicole Green, também da universidade australiana, a estratégia permitiu identificar com precisão quais regiões regulatórias estavam ativas e quais genes eram afetados por elas, algo que costuma ser difícil porque esses interruptores podem atuar a longas distâncias no genoma.

O que muda a partir dessas descobertas

O mapeamento dessas conexões cria uma espécie de diagrama do funcionamento genético dos astrócitos. Com essas informações, ferramentas de inteligência artificial poderão ser treinadas para identificar outros intensificadores semelhantes no futuro, acelerando novas descobertas.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo não aponta para uma terapia imediata. As autoras afirmam que compreender esse circuito de controle genético é um passo importante antes que qualquer estratégia de tratamento possa ser pensada.

Ainda será necessário investigar se esses interruptores funcionam da mesma forma quando os astrócitos entram em um estado hiperativo, condição observada no Alzheimer. Mesmo assim, o trabalho contribui para esclarecer como alterações em regiões pouco exploradas do DNA podem influenciar processos neurodegenerativos e ajudar a explicar a complexidade da doença.

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