Estudo explica como o Alzheimer faz o paciente esquecer até quem ama

A perda da “memória social” e a capacidade de reconhecer pessoas próximas pode ocorrer quando estruturas neurais específicas se degradam

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Foto coloridade de uma mulher cuidando e vestindo uma idosa que está sentada em um sofá - Metrópoles
1 de 1 Foto coloridade de uma mulher cuidando e vestindo uma idosa que está sentada em um sofá - Metrópoles - Foto: Alistair Berg / Getty Images

A perda da memória sempre foi o sintoma mais conhecido do Alzheimer, mas um dos aspectos mais dolorosos para as famílias é quando o paciente deixa de reconhecer quem ama.

Um estudo da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, conseguiu identificar a causa da perda da “memória social”, responsável por identificar pessoas próximas, e que essa falha está ligada à deterioração de estruturas que envolvem alguns neurônios.

A pesquisa foi publicada em outubro na revista Alzheimer’s & Dementia e mostra que as estruturas chamadas de redes perineuronais (PNN) funcionam como uma espécie de “malha protetora” ao redor de neurônios importantes para o reconhecimento social.


O que é o Alzheimer?

  • O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
  • Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
  • É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
  • O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

No estudo, feito com camundongos usando um modelo de Alzheimer (5XFAD), os cientistas observaram que, a partir de seis meses de idade — fase que corresponde a um estágio inicial da doença — as PNN começaram a se romper na região CA2 do hipocampo, área diretamente ligada à memória social.

Ao mesmo tempo, os animais passaram a não diferenciar mais conhecidos de estranhos, o que indica a perda dessa memória específica. O trabalho mostra ainda que a degradação das PNN está associada ao aumento de enzimas chamadas metaloproteinases de matriz (MMPs), que “quebram” essas redes protetoras.

Quando os pesquisadores usaram inibidores de MMP, conseguiram preservar as redes e retardar a perda da memória social nos animais. A descoberta trouxe à tona uma nova linha de investigação, já que a maior parte dos tratamentos atuais foca em placas de beta-amiloide e emaranhados de tau, enquanto as PNN oferecem um alvo estrutural diferente.

Essas redes são fundamentais porque estabilizam sinapses e regulam a plasticidade do cérebro — a capacidade de criar e reforçar conexões. No Alzheimer, quando essa proteção se perde, o neurônio fica mais vulnerável e a comunicação entre regiões cerebrais que armazenam informações afetivas e sociais se enfraquece.

O resultado é a dificuldade crescente de reconhecer rostos familiares, algo que muitas famílias relatam como um dos momentos mais devastadores da doença.

Embora o estudo ainda esteja em fase pré-clínica, os autores destacam que a descoberta de um mecanismo tão específico para a perda da memória social pode ajudar a desenvolver futuros tratamentos focados em proteger essas redes ou impedir sua degradação.

De acordo com os cientistas, o desafio agora é transformar essa descoberta em uma estratégia segura e eficaz para humanos, algo que ainda exige estudos clínicos longos e detalhados.

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