metropoles.com

Ômega-3 pode proteger mulheres contra Alzheimer, diz estudo

Pesquisa britânica indica baixos níveis de ômega-3 em mulheres com Alzheimer, mostrando associação de risco

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Carlosgaw/Getty Images
Foto colorida de salmão e brócolis -Metrópoles - omega-3
1 de 1 Foto colorida de salmão e brócolis -Metrópoles - omega-3 - Foto: Carlosgaw/Getty Images

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira (20/8) na Alzheimer’s & Dementia mostra que ter bons níveis de ácidos graxos como o ômega-3 pode proteger mulheres contra a doença de Alzheimer. A pesquisa comparou o sangue de pessoas saudáveis e pacientes e encontrou perda significativa dessas gorduras em mulheres com a condição.

A investigação feita pelo King’s College London mostrou que os níveis de lipídios insaturados estavam até 20% mais baixos em mulheres com sintomas de Alzheimer. Esses compostos são considerados importantes para o funcionamento cerebral.


O que é o Alzheimer?

  • O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas.
  • Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.
  • É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.
  • O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

Nos homens, os pesquisadores não encontraram diferenças relevantes nos mesmos lipídios. Isso sugere que a doença pode afetar os sexos de maneira distinta a partir do perfil nutricional, o que pode ajudar a explicar por que mais mulheres recebem mais frequentemente que homens o diagnóstico de Alzheimer.

Como foi feita a pesquisa?

A investigação incluiu 841 voluntários, incluindo pessoas com Alzheimer, com comprometimento cognitivo leve e com controles saudáveis. As amostras de plasma foram avaliadas por meio de espectrometria de massa, que permitiu a análise de 700 tipos de lipídios.

Mulheres com Alzheimer apresentaram mais lipídios saturados, considerados prejudiciais, e menos lipídios insaturados, entre eles os que contêm ácidos graxos ômega. Nos homens, esse padrão não foi observado.

A médica Cristina Legido-Quigley, uma das líderes do estudo, afirmou que a diferença entre os sexos foi a descoberta mais chocante e inesperada. “O estudo revela que a biologia lipídica do Alzheimer é diferente entre os sexos, abrindo novos caminhos para a pesquisa. Além disso, dá indícios de que a menor quantidade desses compostos pode ser causal no Alzheimer, mas precisamos de um ensaio clínico para confirmar isso”, afirmou em comunicado à imprensa.

Possível efeito protetor do ômega-3

A pesquisa destacou que, com os dados disponíveis, é possível afirmar que as mulheres devem assegurar o consumo de ácidos graxos ômega, especialmente o ômega-3, mas também ômega-6 e ômega-9, para se protegerem do declínio cognitivo. Eles são encontrados em alimentos como peixes, especialmente salmão, sardinha e atum, além de fontes vegetais como sementes de chia e linhaça, nozes, abacate, azeite de oliva e óleo de canola.

“Conseguimos detectar diferenças biológicas nos lipídios entre os sexos em uma grande corte e demonstrar a importância dos lipídios que contêm ômegas no sangue, o que não havia sido feito antes. Os resultados são muito impressionantes e agora estamos analisando o quão precocemente essa mudança ocorre nas mulheres”, afirmou o médico Asger Wretlind, também do King’s College, e coautor da pesquisa.

Ômega-3 pode proteger mulheres contra Alzheimer, diz estudo - destaque galeria
8 imagens
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
1 de 8

Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

PM Images/ Getty Images
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
2 de 8

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Andrew Brookes/ Getty Images
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
3 de 8

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

Westend61/ Getty Images
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
4 de 8

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

urbazon/ Getty Images
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
5 de 8

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

OsakaWayne Studios/ Getty Images
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
6 de 8

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

Kobus Louw/ Getty Images
Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
7 de 8

Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

Rossella De Berti/ Getty Images
O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
8 de 8

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

Impactos na saúde pública

Estima-se que 35 milhões de pessoas no mundo vivam com Alzheimer e duas em cada três pessoas que vivem com este tipo de demência são mulheres. Embora se acredite que fatores sociais e hormonais contribuam para esta maior prevalência, ainda não está claro para a ciência o motivo por trás de tamanha diferença. As disparidades na forma de processar as gorduras absorvidas pelo corpo, como indica a nova pesquisa, pode ser um destes fatores.

Pesquisas futuras também devem ser realizadas em uma população etnicamente mais diversa para verificar se o mesmo efeito é observado, defendeu a médica Julia Dudley, Chefe de Pesquisa da Alzheimer’s Research UK, instituição que financiou a pesquisa.

“Compreender como a doença se manifesta de forma diferente em mulheres pode ajudar os médicos a adaptar tratamentos e orientações de saúde futuros”, concluiu Dudley.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?