Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Dieta cetogênica pode apresentar efeitos opostos no intestino

Novo estudo aponta que dieta cetogênica pode ter ação benéfica ou negativa dependendo da parte do intestino

16/07/2026 17:36
Freepik
Prato com alimentos da dieta cetogênica. Ovo frito, bacon, abacate, rúcula e morangos. Café da manhã cetogênico. Metrópoles

Entre os planos alimentares mais comuns do mundo, a dieta cetogênica tem ganhado espaço em diversas pesquisas que avaliam sua efetividade na perda de peso, no auxílio a tratamentos de doenças como Alzheimer, ou até na sua influência em relação ao câncer.

Por ser uma dieta rica em gordura e pobre em carboidrato, apesar de ser pesquisada durante anos, os cientistas ainda não entendem completamente como ela pode afetar os órgãos e partes do trato digestivo. Além disso, há estudos que mostram também que essa dieta pode diminuir a incidência de certos cânceres e outros que mostram que a questão faz parte de um quadro mais complicado.

Porém, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (15/7), os pesquisadores encontraram uma nova peça nas descobertas.

Realizando testes com camundongos que possuem predisposição genética ao câncer intestinal, a dieta cetogênica apresentou efeitos opostos, dependendo da região do intestino onde atuou, como, por exemplo, acelerando o crescimento tumoral no intestino delgado ou eliminando tumores no cólon.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Para chegar aos resultados, os autores alimentaram os camundongos com três dietas diferentes: uma cetogênica, uma de controle padrão e uma rica em calorias e gorduras.

Então, os pesquisadores descobriram que, ao invés de serem impulsionados por corpos cetônicos, os efeitos da dieta estão relacionados à forma como as células intestinais metabolizam a gordura dos alimentos.

“Surpreendentemente, nem o aumento nem a eliminação da produção de cetonas alteraram o crescimento do tumor intestinal. Em vez disso, descobrimos que seus efeitos promotores de tumores no intestino delgado eram impulsionados pelo metabolismo da gordura alimentar, e não pelos corpos cetônicos”, disse o coautor do estudo Fangtao Chi, biólogo molecular do MIT, ao portal ScienceAlert.

Resultados obtidos com testes em camundongos

Segundo a pesquisa, os ratos que foram alimentados com a dieta cetogênica desenvolveram tumores no intestino delgado com taxas superiores ou iguais às dos que foram alimentados com uma dieta indutora de obesidade, mesmo permanecendo magros.

Mas, ao mesmo tempo, a dieta cetogênica apresentou a supressão de tumores no cólon, validando os resultados obtidos em pesquisas anteriores.

Isso mostrou que as cetonas, beta-hidroxibutirato (BHB), não exerciam efeitos protetores contra o câncer colorretal, conforme apontam outros estudos.

Em vez disso, foi observado que, à medida que as células metabolizam as gorduras, em um processo chamado de oxidação de ácidos graxos, elas ativam proteínas chamadas PPARs, as quais estimulam as células-tronco intestinais a se dividirem mais rápido.

Mesmo que essa atividade possa ajudar a reparar tecidos danificados, ela também aumenta as chances de essas células se tornarem cancerígenas.

Segundo o líder da pesquisa e biólogo patologista do MIT, Omer Yilmaz, “ter mais células-tronco significa que, quando o intestino delgado sofre uma lesão, ele consegue se reparar melhor. Mas a desvantagem é que ter mais células-tronco ativas também pode levar à formação de tumores”, destacou ao ScienceAlert.

O próximo passo da pesquisa é entender por que a dieta cetogênica tem efeitos opostos em partes tão próximas do intestino.