Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Saúde

Diarreia transmitida pelo sexo mostra resistência a antibióticos

Casos da bactéria com resistência a vários medicamentos aumentaram nos EUA e no Reino Unido

08/10/2026 10:41, atualizado 08/10/2026 10:42
Smith Collection/Gado/Getty Images
Uma ilustração médica retrata bactérias *Shigella* sp. resistentes a medicamentos (2019). A imagem aborda a resistência a antimicrobianos. Metrópoles

Uma bactéria que causa diarreia e vômitos está se tornando mais difícil de tratar em casos transmitidos por contato sexual. A Shigella, responsável por cerca de 450 mil infecções por ano nos Estados Unidos, já apresenta cepas resistentes a vários antibióticos e passou a ser identificada com mais frequência como uma infecção sexualmente transmissível (IST).

O micro-organismo pode causar shigelose, que em alguns casos evolui para disenteria, com diarreia acompanhada de sangue. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão da bactéria, inclusive por água ou alimentos contaminados, mas o contato sexual também se tornou uma via importante.

O problema tem sido observado principalmente entre homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens. Nessa população, algumas cepas de Shigella desenvolveram resistência a diversos antibióticos usados no tratamento.

Resistência aumentou nos EUA

Uma análise recente dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) avaliou quase 17 mil amostras de Shigella coletadas entre 2011 e 2023. Em 2011, nenhuma das amostras apresentava resistência aos cinco antibióticos avaliados. Em 2023, as cepas com resistência extensiva a medicamentos representavam 8,5% das amostras.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

A maior parte dessas versões resistentes foi identificada em homens adultos. Muitos deles não haviam viajado para outros países nos meses anteriores, o que reforça a hipótese de transmissão dentro da própria comunidade.


Como evitar a transmissão

  • Evitar relações sexuais com pessoas que tiveram diarreia nas duas semanas anteriores.
  • Usar preservativo durante relações sexuais, incluindo sexo oral e anal.
  • Manter cuidados de higiene antes e depois das relações sexuais.
  • Procurar atendimento médico ao apresentar sintomas compatíveis com shigelose.
  • Profissionais de saúde devem investigar a possibilidade de transmissão sexual em pacientes com disenteria e orientar sobre formas de prevenção.

Cenário também preocupa no Reino Unido

Pesquisadores do Reino Unido encontraram uma situação semelhante. Um estudo liderado pela geneticista Kate Baker, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicado em 8 de julho na revista The Lancet Infectious Diseases, identificou aumento de cepas resistentes de Shigella transmitidas sexualmente.

Segundo a pesquisadora, a infecção passou, ao longo da última década, de uma doença que geralmente podia ser tratada com os medicamentos disponíveis para uma condição em que as opções terapêuticas podem ser bastante limitadas.

Em 2025, 86% das amostras de Shigella sonnei e 94% das amostras de Shigella flexneri analisadas pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) apresentaram resistência a antibióticos. As duas são as espécies mais frequentemente identificadas em casos transmitidos por contato sexual entre homens.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Pesquisas anteriores conduzidas por Kate e outros pesquisadores também indicaram que até um terço dos pacientes com Shigella transmitida sexualmente precisou ser hospitalizado. Nesses casos, a internação durou, em média, de quatro a cinco dias.

“Esta não é apenas uma forma de diarreia sexualmente transmissível. Trata-se do surgimento de múltiplas variantes sobrepostas que estão rapidamente se tornando resistentes aos medicamentos que usamos para tratá-las”, destacou Kate.

A pesquisadora acrescentou que a origem da infecção pode influenciar o tratamento necessário. “É muito provável que, se você contraiu Shigella por meio de relações sexuais, precise de um tratamento diferente de alguém que a contraiu durante uma viagem”, diz.

Diarreia transmitida pelo sexo mostra resistência a antibióticos