Casos de diarreia transmitida sexualmente aumentam na Inglaterra
Doença tem se propagado de forma acelerada no Reino Unido e tem colocado autoridades de saúde locais em alerta

A Inglaterra tem registrado aumento de casos graves de diarreia transmitidos por meio de relação sexual. No país, já foi notificado o crescimento de um quarto nos casos da doença desde 2023, o que tem deixado as autoridades de saúde em alerta pelo fato de ser “praticamente intratável”.
Causado pela bactéria que gera a shigelose, esse tipo de diarreia é resistente a antibióticos, o que a torna, por vezes, letal. A infecção intestinal aguda faz parte de um grupo de quatro germes e é altamente contagiosa.
Entre as principais crises provocadas pela doença estão diarreia intensa, frequentemente acompanhada de sangue nas fezes, cólicas estomacais, febre e náuseas. Mais de 200 mil pessoas morrem por ano por essa infecção.

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Ver todasUm estudo publicado no dia 8 de julho pela Universidade de Cambridge identificou que a shigelose transmitida via relação sexual está se espalhando mais rapidamente do que em outras formas de infecção da doença, além de estar cada vez mais resistente a antibióticos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaSegundo dados divulgados pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA, sigla em inglês), houve um aumento de 508 casos — disparando de 2.052 para 2.560 — em 2025, o que corresponde a cerca de 24,8%, sendo que mais da metade dos registros foi feita em Londres.
Como é a transmissão da bactéria shigelose?
- Normalmente, a shigelose é transmitida por meio do consumo de alimentos ou superfícies com fezes contaminadas.
- Via transmissão sexual, ela ocorre por meio de sexo anal. Por isso, a maior parte de indivíduos que apresentaram a infecção são homens gays e bissexuais.
- Dentre as 3.514 amostras coletadas pelo estudo, aproximadamente um terço delas foi classificado como transmissão sexual de homens que fazem sexo com homens.
- O outro terço das contaminações foi por outras vias.
- O restante veio através de viagens à África, Ásia, América Latina e Caribe.
Bactéria tem resistência a antibiótico
Nos casos leves, a diarreia é tratada com repouso e ingestão de líquidos, já os casos graves precisam de tratamento com antibióticos. Porém, a autora principal do estudo, Kate Baker, do departamento de genética da Universidade de Cambridge, alerta que as cepas transmitidas sexualmente são praticamente intratáveis.
“Aproximadamente sete em cada dez casos de infecções século-transmissíveis apresentaram resistência a pelo menos um dos medicamentos, em comparação com quatro em cada dez outras infecções adquiridas e metade dos casos relacionados a viagens. Agora estamos numa situação em que é praticamente intratável com medicamentos”, disse ao Daily Mail.
Os outros autores do estudo reforçam que a diarreia transmitida sexualmente precisa ser descrita como uma emergência de saúde pública.
Segundo o consultor epidemiologista da UKHSA, Hamish Mohammed, a pesquisa destaca que essa infecção é uma preocupação crescente. Para diminuir o risco, os autores afirmam que se recomenda que o principal grupo afetado pela cepa, homens gays e bissexuais, intensifiquem os hábitos de higiene.


