Coronavírus: um mês depois do 1º caso como está o Brasil

A primeira vítima da Covid-19 foi curada. O governo incluiu a cloroquina para pacientes graves. Mas, o pico da doença ainda não aconteceu

atualizado 26/03/2020 9:34

No dia 26 de fevereiro, o Brasil confirmou o primeiro caso de coronavírus em território nacional: um homem de 61 anos, que chegou ao país vindo da Itália, apresentou sintomas e ao procurar um hospital foi diagnosticado. Era Quarta-Feira de Cinzas, pós-carnaval. Ali, o país iniciava uma história que ainda está bem longe do fim.

De lá para cá, são 2.433 casos confirmados, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, feita nessa quarta-feira (25/03). Ao todo, 57 pessoas morreram em decorrência da Covid-19, a maioria delas em São Paulo. Há pacientes diagnosticados em todos os estados do país.

“Somos o primeiro país tropical em grande escala a receber o vírus”, lembrou o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, durante a coletiva dessa quarta-feira (25/03). Ele sustenta que a escalada de casos está dentro das previsões do governo e lembra: “Estamos apenas no começo da subida”. A expectativa é que o pico da doença no país aconteça no começo de abril.

A população brasileira, observando a experiência de outros países, aprendeu a lavar as mãos, esgotou os estoques de álcool em gel dos comércios, abasteceu as despensas. Seguindo as recomendações de governadores e do Ministério da Saúde, para evitar o contágio de faixas etárias mais vulneráveis, o brasileiro está evitando sair de casa. Serviços não essenciais foram paralisados e ruas vazias se tornaram cada vez mais comuns.

Um mês depois do primeiro caso — o paciente está curado, como outros que passaram dos 14 dias de infecção –, o Brasil inseriu a cloroquina no protocolo de pacientes graves depois que o presidente americano Donald Trump afirmou que o medicamento (originalmente usado para malária, lúpus e artrite reumatoide) apresenta bons resultados contra o coronavírus.

O Ministério da Saúde comprou máscaras, respiradores e leitos de UTI para tentar preparar o sistema de saúde e providenciou 22,9 milhões de testes (alguns doados por empresas privadas) para seguir o conselho da Organização Mundial de Saúde (OMS) de “testar, testar, testar” na maior quantidade de pacientes possíveis.

Nessa terça-feira (24/03), o coronavírus desencadeou sua primeira crise política. O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento oficial e chamou a pandemia de “gripezinha”, além de ter colocado em cheque o isolamento social que vem sendo adotado na maioria dos estados. Para ele, o ideal seria apartar do convívio apenas as pessoas do grupo de risco.

Por meio de decretos, os governadores, principalmente os das grandes cidades, onde está previsto que a doença será mais cruel, impediram que a população saia de casa, cancelaram eventos públicos, fecharam escolas e academias de ginástica e até do comércio. O embate entre o poder federal e o estadual está apenas no começo.

O Ministério da Saúde promete divulgar, nos próximos dias, um balanço do que aconteceu até aqui, bem como um perfil dos pacientes infectados e o tempo que eles ficaram internados.

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