Coronavírus se “esconde” no corpo, explica professor da USP

Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina, comanda estudo pioneiro no país que faz autópsia dos corpos das vítimas do novo coronavírus

atualizado 17/04/2020 13:50

imagem de coronavírus vistos em laboratórioBSIP/Colaborador/Getty Images

O professor do departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Saldiva, comanda um estudo pioneiro no país que faz a autópsia dos corpos das vítimas do novo coronavírus para saber como a doença age nos quadros graves.

Em entrevista ao jornal Estadão, Saldiva destacou a capacidade de dissimulação do Sars-CoV-2, como uma de suas principais características. “O tempo de latência, entre você estar contaminado e desenvolver doença clínica, é maior. No H1N1 em no máximo dois dias você estava com febre. Nesse vírus pode ficar até 10 ou 12 dias sem sintomas, enquanto ele vai minando o organismo. Isso significa que a pessoa com o vírus pode estar contaminando outras pessoas sem saber.”

A agressividade do vírus também chamou atenção do pesquisador: “A gente sabe que, além do pulmão, os vírus estão indo para o cérebro, os rins e os testículos, mas a gente ainda conseguiu concluir o estudo. O que sabemos é que ele é muito rápido e extremamente agressivo, principalmente no sistema respiratório. A maioria estava com as vias sanguíneas que irrigam os pulmões obstruídas por tromboses.”

As informações recolhidas pelo grupo de Saldanha são importantes para entender como a doença evolui no corpo e estão sendo compartilhadas praticamente em tempo real com outros cientistas. O grupo pretende autopsiar pelo menos 50 corpos e até aqui a autópsia já foi feita em 16. (Com informações do Estadão)

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