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Saúde

Cirurgia para AVC pode funcionar até 72 horas após início dos sintomas

Estudo aponta benefícios da retirada do coágulo até 72 horas após o AVC, mas alerta para maior risco de sangramento cerebral e morte

30/10/2026 10:06
Getty Images
Homem com dor de cabeça - acidente vascular cerebral - avc ilustração 3D

O tratamento de alguns tipos de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico pode trazer benefícios mesmo quando realizado entre 24 e 72 horas após o início dos sintomas. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine em 23 de outubro.

A pesquisa identificou melhores resultados funcionais entre pacientes submetidos à retirada do coágulo nesse intervalo, mas também registrou maior ocorrência de sangramentos cerebrais e mortes.

A descoberta pode mudar a avaliação de pacientes que chegam tarde ao hospital, mas não significa que todos possam receber o procedimento depois do prazo tradicional. Os participantes do estudo tinham uma característica específica. Exames de imagem mostraram que ainda havia tecido cerebral viável, ou seja, áreas que poderiam ser preservadas com a recuperação do fluxo sanguíneo.

O ensaio clínico foi realizado em 35 centros especializados em AVC na China. Dos 1.088 pacientes avaliados, 336 participaram da análise. Eles foram divididos em dois grupos. Um recebeu a terapia endovascular, além do tratamento médico padrão. O outro recebeu apenas o tratamento médico padrão.

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Retirada do coágulo após 24 horas

O AVC isquêmico acontece quando um coágulo bloqueia a passagem de sangue para uma região do cérebro. Sem receber oxigênio e nutrientes, as células cerebrais começam a morrer.

Uma das formas de tratamento é a trombólise, que utiliza medicamentos para dissolver o coágulo. Outra é a trombectomia, procedimento em que médicos introduzem um cateter em um vaso sanguíneo para chegar até a obstrução e removê-la.

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A trombectomia endovascular já é utilizada no tratamento de AVCs causados pelo bloqueio de grandes vasos. Por muito tempo, acreditou-se que o procedimento só seria eficaz nas primeiras horas após o início dos sintomas. Pesquisas posteriores demonstraram benefícios em pacientes selecionados até 24 horas depois.

O novo estudo investigou se a retirada do coágulo também poderia ajudar pessoas atendidas entre 24 e 72 horas após o início do AVC. Para participar, os pacientes precisavam apresentar uma obstrução em grandes vasos da circulação anterior e sinais, nos exames de imagem, de que ainda havia tecido cerebral que poderia ser salvo.

Após 90 dias, os pacientes submetidos à terapia endovascular apresentaram melhores resultados funcionais do que aqueles que receberam apenas o tratamento médico padrão. Isso significa que tiveram maior probabilidade de apresentar uma evolução favorável na capacidade de realizar atividades do dia a dia.

Apesar dos resultados, a intervenção apresentou riscos que precisam ser considerados. A hemorragia intracraniana, que é o sangramento dentro do crânio, ocorreu em 28,3% dos pacientes submetidos à terapia endovascular. No grupo que recebeu apenas o tratamento padrão, a taxa foi de 5,5%.

Os casos de hemorragia intracraniana sintomática, quando o sangramento provoca manifestações clínicas, foram registrados em 4,8% dos pacientes que passaram pelo procedimento. Não houve ocorrência desse tipo no grupo de controle.

Benefício depende da avaliação do paciente

Os resultados também variaram conforme o local e a origem da obstrução. Os pesquisadores observaram maior possibilidade de melhora funcional entre pacientes com bloqueio da artéria carótida interna do que entre aqueles com obstrução da artéria cerebral média. A resposta também foi diferente conforme o tipo de aterosclerose identificado.

Por isso, os autores ressaltam que o procedimento não deve ser indicado de forma indiscriminada para qualquer pessoa que tenha sofrido um AVC há mais de 24 horas. A identificação de tecido cerebral viável por exames de imagem foi um critério fundamental para selecionar os participantes.

O estudo indica que a janela de tratamento pode ser maior em casos específicos, mas também mostra que a intervenção tardia exige uma avaliação cuidadosa dos possíveis benefícios e riscos. Os pesquisadores defendem que a decisão considere as condições clínicas e os exames de cada paciente.