Cheiro de café fresco é associado a melhora momentânea do humor
Pesquisa encontrou redução de sentimentos negativos após cinco minutos de exposição ao aroma do café recém-preparado

O cheiro de café recém-preparado pode estar associado a uma melhora momentânea no humor, mesmo sem que a bebida seja consumida. Um pequeno estudo realizado no Japão identificou redução de tensão, ansiedade, cansaço e outros sentimentos negativos depois que voluntários passaram cinco minutos respirando normalmente perto de uma porção de café fresco.
A pesquisa, publicada em 9 de setembro na revista científica Nutrients, reuniu 20 adultos saudáveis, com idades entre 20 e 29 anos, sendo oito homens e 12 mulheres.
Todos eram estudantes universitários, e os pesquisadores avaliaram o humor, a atividade elétrica cerebral, a frequência cardíaca e a variabilidade dos batimentos antes e depois da exposição ao aroma.
Os resultados apontam uma associação entre o período sentindo o cheiro do café e mudanças no humor e em um indicador cerebral relacionado ao relaxamento.
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Para o experimento, pesquisadores da Showa Pharmaceutical University, em Tóquio, prepararam 20 gramas de café moído com 400 mililitros de água a 85 °C. A bebida foi colocada em um recipiente de vidro a cerca de 50 centímetros de cada participante.
Os voluntários não beberam o café, apenas permaneceram durante cinco minutos respirando normalmente enquanto o aroma se espalhava pelo ambiente. Antes e depois do período, responderam a um questionário utilizado para medir diferentes aspectos do humor.
Após a exposição, houve queda no índice geral de perturbação do humor. As análises também apontaram reduções significativas em fadiga, tensão e ansiedade, confusão, além de depressão e desânimo.
O que aconteceu no cérebro?
Os pesquisadores também acompanharam a atividade elétrica cerebral por meio de um dispositivo portátil de eletroencefalografia. Um índice calculado a partir das ondas cerebrais e relacionado a estados de relaxamento passou de aproximadamente 0,74 para 0,78.
A diferença foi pequena e, segundo os próprios autores, ainda não está claro qual é a importância fisiológica de uma alteração daquela magnitude.
O aroma característico do café é formado por diversos compostos voláteis, muitos deles produzidos durante a torrefação. No preparo, parte das substâncias responsáveis pelo cheiro é liberada no ar e chega ao sistema olfativo.
Pesquisas anteriores já investigaram possíveis relações entre o aroma do café e aspectos como humor, memória, estresse e atividade cerebral. No novo trabalho, os cientistas avaliaram respostas psicológicas, cerebrais e cardiovasculares nos mesmos participantes.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam limitações importantes. A amostra reuniu apenas 20 jovens universitários e não houve um grupo que permanecesse durante cinco minutos sem o aroma do café ou diante de outro cheiro.
Com isso, não é possível descartar que fatores como o período de repouso, a expectativa dos participantes ou a adaptação ao ambiente tenham influenciado os resultados.
Os autores defendem estudos maiores, com participantes mais diversos e grupos de comparação, para esclarecer se o cheiro do café realmente provoca as alterações observadas. Por enquanto, os achados indicam uma associação de curta duração entre a exposição ao aroma de café recém-preparado e a redução de alguns sentimentos negativos.



