Estudo revela células que impulsionam fibrose na doença de Crohn

Pesquisa identifica mecanismos celulares ligados à formação de cicatrizes no intestino e pode ajudar em novos tratamentos da doença de Crohn

atualizado

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Ilustração colorida mostra homem branco fortes dores no intestino
1 de 1 Ilustração colorida mostra homem branco fortes dores no intestino - Foto: wildpixel/Getty Images

Um novo estudo científico identificou quais células do intestino participam do processo que leva à fibrose na doença de Crohn, uma complicação comum e potencialmente grave da enfermidade.

A pesquisa foi publicada em 5 de fevereiro na revista científica The Journal of Pathology e analisou como diferentes células do tecido intestinal se comportam durante a inflamação crônica típica da doença.

Os cientistas observaram que certos tipos celulares passam a produzir grandes quantidades de proteínas estruturais, o que leva à formação de cicatrizes no intestino. Essas cicatrizes podem alterar a estrutura do órgão, estreitar o canal intestinal e, em alguns casos, provocar obstruções que exigem cirurgia.

O que é a doença de Crohn

A doença de Crohn é uma inflamação intestinal crônica persistente em partes do sistema digestivo, principalmente no intestino delgado e no cólon.

Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal, diarreia frequente, perda de peso e fadiga. Com o tempo, a inflamação contínua pode danificar os tecidos do intestino e desencadear processos de cicatrização anormais. É nesse contexto que surge a fibrose.

A fibrose acontece quando o organismo tenta reparar um tecido que sofreu lesão, mas acaba produzindo tecido cicatricial em excesso. No intestino, isso ocorre quando células responsáveis pela cicatrização passam a produzir grandes quantidades de proteínas como o colágeno. Esse material se acumula na parede intestinal e deixa o tecido mais rígido e espesso.

Com o avanço da fibrose, partes do intestino podem ficar estreitas — condição chamada de estenose — dificultando a passagem de alimentos e causando dor ou bloqueios intestinais.

O estudo mostrou que diferentes tipos de células participam da formação da fibrose intestinal. Entre as principais estão:

  • Fibroblastos, células que produzem proteínas estruturais do tecido;
  • Miofibroblastos, versões ativadas dessas células que produzem ainda mais colágeno;
  • Células do sistema imunológico, que liberam substâncias inflamatórias capazes de estimular a cicatrização exagerada.

Segundo os pesquisadores, quando essas células permanecem ativadas por muito tempo, passam a produzir matriz extracelular em excesso — uma rede de proteínas que dá sustentação aos tecidos. Esse acúmulo acaba levando ao endurecimento do intestino.

Inflamação prolongada é o principal gatilho

A pesquisa também reforça que a fibrose está diretamente ligada à inflamação persistente causada pela doença de Crohn. Primeiro, o sistema imunológico reage e gera inflamação no intestino.

Essa inflamação danifica os tecidos. Em resposta, o organismo tenta reparar o local lesionado ativando células responsáveis pela cicatrização. O problema é que, na doença de Crohn, esse processo pode se repetir várias vezes. Com isso, o tecido cicatricial se acumula progressivamente e modifica a estrutura do intestino.

Hoje, a maioria dos tratamentos para a doença de Crohn é focada em controlar a inflamação. Porém, eles nem sempre conseguem impedir o avanço da fibrose já instalada. Por esse motivo, muitos pacientes acabam precisando de cirurgia para remover partes do intestino que ficaram muito estreitas.

Ao entender melhor quais células e mecanismos levam à formação da fibrose, os cientistas acreditam que será possível desenvolver medicamentos capazes de bloquear esse processo no futuro. A expectativa é que novos tratamentos possam impedir a formação das cicatrizes intestinais antes que elas causem danos permanentes.

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