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Cérebro flex: estudo descobre que gordura é combustível dos neurônios

Pesquisadores mostram que neurônios usam gorduras como fonte de energia, abrindo caminhos para novos tratamentos para doenças cerebrais

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Imagem mostra visão de microscópio do tecido do fígado com gordura - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra visão de microscópio do tecido do fígado com gordura - Metrópoles - Foto: Getty Images

Por décadas, acreditava-se que neurônios dependiam apenas da glicose para produzir energia e poder fazer o cérebro humano funcionar. Uma pesquisa da University of Queensland, na Austrália, publicada na revista Nature Metabolism nesta terça-feira (30/9), porém, mostra que o órgão é “flex” e que funciona com outros tipos de combustível, incluindo diversos tipos de gordura.

A descoberta pode impactar a forma como entendemos o funcionamento do órgão e até em como pensamos o tratamento de doenças cerebrais.

“Nossa pesquisa mostra que as gorduras são, sem dúvida, parte crucial do metabolismo energético do neurônio e podem ser a chave para reparar e restaurar funções quando elas falham. Compreender esse combustível alternativo do cérebro pode ajudar a abrir caminho para tratamentos mais eficazes de doenças neurológicas”, destaca bioengenheira Merja Joensuu, especialista em lipídios e líder da pesquisa.

Gordura como combustível alternativo

O estudo, na verdade, não tinha como objetivo principal entender quais eram as fontes de alimentação do sistema nervoso. A pesquisa investigava um gene ligado a uma doença rara que afeta os movimentos, a paraplegia espástica. Quando esse gene falha, o cérebro perde o equilíbrio de gorduras e os neurônios deixam de funcionar direito.

Ao entender a doença, os cientistas descobriram que os neurônios também queimam pequenas moléculas de gordura para se comunicar entre si. Quando essa fonte de energia se perde, a atividade cerebral é comprometida e sintomas aparecem.

Os pesquisadores testaram se o combustível recém-descoberto era mesmo funcional. Eles usaram ácidos graxos saturados livres, que são suplementos de gorduras, em animais em laboratório que tinham o defeito no gene estudado, o que comprometia seus cérebros. A experiência mostrou recuperação da energia e da função dos neurônios.

Usar doses altas de açúcar, por outro lado, não trouxe resultados, o que pode sugerir que os neurônios se alimentem de diferentes combustíveis para cumprir diferentes funções.

“Foi uma mudança enorme de visão. Mostrou que neurônios saudáveis produzem essas gorduras e as usam como combustível. Em doenças onde esse processo falha, a energia pode ser restaurada com suplementos”, explica Joensuu no comunicado à imprensa.

Segundo a pesquisadora, a descoberta pode ser a peça que faltava do quebra-cabeça para entender várias enfermidades debilitantes, como o Alzheimer.

Caminho até futuros tratamentos

A próxima etapa da pesquisa é avaliar a eficácia terapêutica e a segurança dos ácidos graxos ativados em estudos pré-clínicos. A fase é necessária antes de iniciar testes em humanos e poderá definir a extensão do impacto em doenças metabólicas cerebrais.

Os resultados oferecem esperança para distúrbios antes considerados intratáveis. A mudança de paradigma no metabolismo cerebral pode alterar a forma como a ciência enxerga a energia que mantém a mente em funcionamento.

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