Pensar demais emagrece? Médicos explicam o que é mito e verdade

Cérebro é o centro de comando do corpo, pesa entre 1,2 kg e 1,5 kg e representa apenas 2% do peso corporal de um adulto

atualizado

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Representação 3d de cérebro correndo em esteira. Velocidade de pensamento, processamento, cérebro
1 de 1 Representação 3d de cérebro correndo em esteira. Velocidade de pensamento, processamento, cérebro - Foto: Getty Images

Apesar de representar apenas 2% do peso corporal médio de um adulto e pesar em torno de 1,2 kg a 1,5 kg, o cérebro é responsável por gastar cerca de 20% da energia do corpo humano. Por funcionar até mesmo quando estamos dormindo, o órgão é um dos que mais consomem a energia do corpo.

Pensar emagrece?

O combustível do cérebro é a glicose, de onde o corpo retira o ATP (trifosfato de adenosina), uma molécula necessária para iniciar os processos metabólicos. Um cérebro adulto consome cerca de 5,6 miligramas de glicose para cada 100 gramas de tecido cerebral por minuto.

De acordo com o neurologista Carlos Uribe, do Hospital Brasília, não há, diretamente, evidências de que o cérebro queime calorias para executar suas ações. No entanto, o funcionamento cerebral tem correlação com a perda de peso, pois em situações patológicas onde a taxa metabólica do cérebro aumenta, geralmente é observado emagrecimento.

“Já há medicamentos, como os estimulantes (lisdexanfetamina, metilfenifato), que atuam na química do cérebro. Eles diminuem o impulso de comer e acabam contribuindo indiretamente para o emagrecimento”, esclarece.

Alguns estudos sugerem que o cérebro de pessoas obesas funciona de forma diferente de pessoas não obesas. Ainda não há consenso sobre essa alteração, nem tratamento específico que possa ser usado como intervenção efetiva. Alguns dados sugerem que medicamentos ou o uso de neuromodulação podem ser promissores.

No entanto, a atividade de pensar – ainda que canse – não provoca a queima calórica que promova emagrecimento. “O gasto calórico tende a ser compensado com aumento da fome no curto prazo. E, no longo prazo, o cérebro sempre tentará gastar a menor quantidade possível de energia. Nosso metabolismo sempre tende a economizar energia” , completa Uribe.

Como aumentar a eficiência do cérebro?

O neurologista Marcel Simis, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, conta que a eficiência do cérebro aumenta quanto mais o usamos. “É importante estarmos sempre aprendendo algo novo. Justamente para manter a região cortical ativa. Ela é utilizada quando aprendemos conteúdos pela primeira vez ou executamos movimentos mais conscientes e menos automatizados. Inclusive, a ciência aponta que aprender algo novo ajuda a prevenir doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer”, frisa.

Importância da alimentação

A saúde do cérebro também é fortalecida por meio de uma dieta saudável. A nutricionista Carla de Castro, da Clínica Sallva, em Brasília, lista os benefícios de uma alimentação equilibrada. “Ela impacta diretamente a memória e a concentração, pois fornece os nutrientes necessários para a neuroplasticidade, melhora o fluxo sanguíneo cerebral e reduz inflamações que podem prejudicar a cognição”, destaca.

Apostar em alimentação rica em nutrientes essenciais, associada a bons hábitos diários, é a melhor maneira de preservar a função cerebral, aprimorar a performance mental e garantir bem-estar a longo prazo.


Nutrientes benéficos para a saúde cerebral

  • Ômega-3: presente em peixes gordurosos, linhaça e chia, ele protege as membranas neuronais e melhora a transmissão de impulsos nervosos.
  • Colina: encontrada nos ovos, é fundamental para a produção de acetilcolina, um neurotransmissor essencial para a memória e o aprendizado.
  • Vitaminas do complexo B (B6, B9 e B12): auxiliam na produção de neurotransmissores responsáveis pelo humor e bem-estar.
  • Magnésio: presente em sementes, castanhas e cacau, contribui para a regulação do estresse e da ansiedade.
  • Vitamina C e flavonoides: encontrados em frutas vermelhas e nozes, são antioxidantes que ajudam a combater o estresse oxidativo e a prevenir doenças neurodegenerativas.
Imagem de peixe rico em ômega-3 - Metrópoles
Ômega-3 encontrado em peixes é importante para nutrição cerebral

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