Centro-Oeste lidera efeitos da seca e calor no país, aponta pesquisa
Levantamento mostra calor intenso e falta de água entre os principais efeitos na região. Moradores também relatam baixa preparação das cidad

O Centro-Oeste concentra os efeitos mais intensos da estiagem no Brasil, segundo pesquisa da Nexus. O levantamento indica que 39% dos moradores da região citam a seca prolongada e a falta de água como um dos principais problemas enfrentados no último ano, quase o dobro da média nacional, de 22%.
As altas temperaturas também aparecem com frequência nos relatos. Ondas de calor foram mencionadas por 63% dos entrevistados, o maior percentual entre os eventos climáticos avaliados. Chuvas intensas e alagamentos foram citados por 20%, enquanto 14% mencionaram tempestades com vento ou granizo.
Percepção das mudanças no clima
Apesar da frequência de eventos extremos, metade dos moradores do Centro-Oeste afirma que o clima mudou muito no último ano. O índice é menor que a média nacional, de 56%, e distante do Norte, onde chega a 69%. Outros 34% dizem perceber alguma mudança, o que leva a 84% o total de pessoas que notaram alterações no clima na região.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde
Frequência de envio: Semanal
Ver todasQuando questionados sobre as causas, 52% atribuem os eventos às ações humanas. Já 27% consideram uma combinação entre fatores naturais e atividade humana. Para 17%, as mudanças são naturais e não têm relação com a ação humana.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“O Centro-Oeste, forte produtor agrícola e com biomas como o Cerrado e o Pantanal, sente a seca prolongada com intensidade quase duas vezes maior que a média brasileira. É um alerta para a segurança hídrica e para a economia local”, afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
Falta de informação e preparo
O levantamento também aponta baixo nível de informação sobre o El Niño. Entre os entrevistados da região, 40% dizem não conhecer o fenômeno. Outros 21% afirmam ter ouvido falar, mas sabem pouco sobre o tema.
Após receberem uma explicação sobre o fenômeno, 53% passaram a relatar alto grau de preocupação com seus efeitos.
A percepção sobre a capacidade de resposta das cidades também é negativa. Para 61% dos moradores, os municípios não estão preparados para lidar com eventos climáticos extremos. Outros 20% consideram que a preparação é insuficiente, enquanto apenas 2% avaliam que há estrutura adequada.
Como foi feita a pesquisa
O estudo ouviu 2 mil pessoas em entrevistas presenciais realizadas em diferentes regiões do país. A amostra foi distribuída por sexo, idade, renda e local de residência, com coleta de dados georreferenciados.



