Entenda por que os eventos climáticos estão ficando cada mais extremos

A expectativa é que o próximo evento climático extremo a ocorrer seja o super El Niño, que trará seca extrema e chuvas fortes ao Brasil

atualizado

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Foto de rapaz segurando sapatos em alagamento - Metrópoles
1 de 1 Foto de rapaz segurando sapatos em alagamento - Metrópoles - Foto: Wokephoto17/ Getty Images

Secas extremas e chuvas extremamente fortes e volumosas. A ocorrência de eventos climáticos extremos tem aumentando cada vez mais. O alerta mais atual das entidades do clima internacionais diz respeito ao “super El Niño”, um fenômeno capaz de provocar um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que tem previsão de ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

No Brasil, é esperado que o evento provoque mudanças drásticas nos ciclos climáticos, a depender da região. No Sul, as chuvas devem ser mais intensas e o risco de inundações maior. No Norte e Nordeste, poderão ocorrer secas severas e atrasos no período chuvoso. Já no Centro-Oeste e Sudeste, a expectativa é de mais ondas de calor e umidade relativa do ar mais baixa.

O incremento dos “poderes” do El Niño e de outros fenômenos climáticos tem relação com um fator principal: o avanço do aquecimento global. Com as temperaturas médias mais altas, a umidade atmosférica fica mais retida, o que, consequentemente, muda padrões de ciclos hidrológicos anteriormente bem definidos. Assim, secas e chuvas ficam mais extremas.

Brasil é um dos países que mais sofre com eventos climáticos extremos

No contexto brasileiro, as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento podem ser sentidas ainda mais. Por ser territorialmente muito grande, nosso país possui uma variedade de biomas, sendo a maioria deles sensível a alterações. No caso do super El Niño, especialistas avaliam que a grandeza dificultará o combate dos efeitos do fenômeno.

Em live promovida pelo Instituto ClimaInfo na última segunda-feira (18/5), o professor Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, explica que as repercussões do El Niño são bem conhecidas nas extremidades do país. Já nas partes centrais, até há previsão de como será o fenômeno, porém ela é dificultada pela localização entre a seca do Norte e as chuvas do Sul, o que exige uma análise individualizada de cada região.

“Nós temos que preparar planos de contingência para cada estado e município, levando em conta o risco local. Em algumas regiões é relativamente mais fácil de avaliar, como no caso do Rio Grande Sul, e em outras é mais complicado, como no caso de São Paulo e Rio de Janeiro”, alerta Artaxo, que é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU).

População pobre é a que mais sofre

A frequência maior de eventos climáticos extremos impacta uma parcela da população em especial: os mais pobres. Em situações de seca, a falta de aparelhos para aliviar o calor, como ar-condicionados e ventiladores, pioram a sensação térmica. Já em casos de chuvas torrenciais, as regiões menos favorecidas costumam ser as mais atingidas por deslizamentos e inundações. 

Segundo a assessora internacional de clima e racismo ambiental no Geledés Instituto da Mulher Negra, Thaynah Gutierrez, o cenário de desigualdade se intensifica quando se trata de populações negras. Como solução, ela defende a criação de ações específicas para diminuir as diferenças.

“Precisamos corrigir as desigualdades estruturais e reposicionar as populações vulnerabilizadas como protagonistas dos planos comunitários para a gestão de riscos e desastre”, diz Thaynah.

Os especialistas apontam que, para melhorar o cenário, é preciso uma integração com a própria comunidade, que pode mapear rotas de fuga especialmente em caso de enchentes, e a adoção de um planejamento urbano capaz de melhorar as condições de moradia e arborização.

Para o professor Fernando Nogueira, da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, o foco ainda está muito voltado para o atendimento pós-desastre, o que deveria ser alterado.

“Precisamos nos antecipar, nos preparar e saber como detectar e sair do perigo em caso de riscos causados por eventos climáticos extremos”, avalia o especialista em gestão de riscos ambientais urbanos.

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