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Estudo: aquecimento global pode aumentar níveis de arsênio no arroz

Estudo mostra que CO₂ elevado e calor deixam o arroz mais contaminado e podem ampliar casos de câncer e problemas crônicos

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Foto colorida, ilustrativa de substância tóxica em prato branco com garfo e faca ao lado. -Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida, ilustrativa de substância tóxica em prato branco com garfo e faca ao lado. -Metrópoles. - Foto: altmodern / Getty Images

O arroz, base da alimentação mundial, pode ficar mais perigoso à medida que o planeta esquenta. Uma pesquisa publicada na The Lancet Planetary Health em maio analisou 28 variedades cultivadas em campos experimentais na China ao longo de quase dez anos e identificou uma grande quantidade de arsênio nos grãos.

No experimento, os cientistas simularam o clima previsto para as próximas décadas — com aumento de CO₂ e temperatura — e perceberam que essa combinação faz o arroz absorver muito mais arsênio inorgânico, a forma mais tóxica do elemento. No início, a equipe instalou estruturas que enriquecem o ar com CO₂ e aqueceu o ambiente de cultivo, reproduzindo condições de mais 200 ppm de CO₂ e 2 °C do que a situação atual.

Essa mudança alterou a química do solo: houve redução do potencial redox — medida da capacidade de uma solução de doar ou aceitar elétrons — e aumento de microrganismos que transformam o arsênio em uma versão mais facilmente absorvida pelas raízes. O resultado foi um efeito “sinérgico”: CO₂ e calor juntos elevaram os níveis de arsênio no grão, além do que cada fator isolado provocaria.

Ao longo da pesquisa, os dados mostraram que o problema não se restringe ao campo. Os autores modelaram o impacto para países onde o arroz é consumido em grandes quantidades — como China, Índia, Bangladesh, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Mianmar — e concluíram que, nesse cenário climático, a ingestão diária de arsênio aumentaria significativamente.

Para a saúde pública, isso significa um risco maior de câncer de pulmão e bexiga, além de efeitos cardiovasculares e metabólicos já associados à exposição crônica ao contaminante.

O estudo também aponta possíveis caminhos de mitigação, como mudanças no manejo dos arrozais (alternar períodos de irrigação e drenagem), melhoramento genético para criar variedades que acumulem menos arsênio e adaptação de práticas agrícolas para reduzir o encharcamento do solo.

Para consumidores, medidas simples — lavar bem o arroz, descartar a água do cozimento e variar fontes de carboidratos — podem ajudar a reduzir a exposição, embora não resolvam o problema em larga escala.

Os pesquisadores alertam que o impacto do aquecimento global sobre o arroz não se limita à produção ou ao valor nutricional. A mudança climática pode transformar um alimento básico em vetor de contaminação crescente, tornando urgente repensar estratégias agrícolas e políticas de segurança alimentar para as próximas décadas.

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