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Saúde

Caso de convulsão na menstruação levanta suspeita de endometriose cerebral

Mulher de 48 anos melhora com hormônios após suspeita de endometriose cerebral, mas diagnóstico não teve confirmação por análise de tecido

23/10/2026 09:59
Reprodução/ Journal of Clinical Medicine
Foto em preto e branco de ressonância magnética do cérebro de uma mulher - Metrópoles.

Uma mulher de 48 anos que apresentava crises epilépticas apenas durante a menstruação levou médicos a suspeitar de endometriose no cérebro. A investigação, que aconteceu na Romênia, identificou uma lesão no hipocampo direito, região ligada à memória, e o tratamento hormonal foi seguido pelo desaparecimento dos sintomas neurológicos. O caso foi publicado em 11 de setembro no Journal of Clinical Medicine.

As crises começaram aos 41 anos e envolviam redução ou perda da consciência, convulsão, olhar fixo e confusão após os episódios. A paciente também relatava falhas de memória recente, embora os testes realizados durante a investigação tenham apresentado resultados normais.

Após a primeira consulta neurológica, ela passou seis meses anotando as datas das crises e da menstruação. O diário mostrou que os episódios aconteciam exclusivamente durante o sangramento menstrual, uma pista importante para a investigação.

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Exames revelaram lesão no cérebro

Uma ressonância realizada em 2019 identificou a alteração no hipocampo direito. Inicialmente, os médicos consideraram possibilidades como uma alteração na formação do tecido cerebral, infecção ou tumor.

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A paciente recebeu medicamentos contra a epilepsia, mas as crises persistiram mesmo após mudanças no tratamento. Em 2020, outra ressonância mostrou uma área de 11 por 10 milímetros com captação de contraste, além de características que poderiam indicar presença de sangue na lesão.

A combinação das imagens com as crises restritas à menstruação levou a equipe a considerar endometriose cerebral. A paciente, porém, não apresentava queixas típicas de endometriose pélvica, como cólicas menstruais, dor nas relações sexuais ou dor pélvica cíclica.

Como a endometriose pode afetar o cérebro

A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao revestimento interno do útero fora da cavidade uterina. Embora seja mais comum na região pélvica, pode aparecer em outros órgãos e, em situações extremamente raras, no sistema nervoso central.

Em 2021, a paciente começou a usar desogestrel e dienogeste, alternados em períodos de seis meses. Os medicamentos pertencem ao grupo dos progestagênios, substâncias com ação semelhante à da progesterona, utilizadas para reduzir a atividade da endometriose.

O remédio contra a epilepsia foi mantido nos primeiros três meses da terapia hormonal e depois suspenso. A mulher relatou desaparecimento completo dos sintomas neurológicos.

Após a última menstruação, em setembro de 2025, o tratamento hormonal também foi interrompido. Uma ressonância de março de 2026 mostrou regressão importante da alteração anteriormente observada. No acompanhamento registrado em abril, ela continuava sem sintomas e sem os tratamentos hormonal e antiepiléptico.

O diagnóstico permanece presumido, pois não houve biópsia. Segundo os autores, a coleta de tecido foi evitada pela localização da lesão em uma área importante para a memória.

A conclusão do relato é que a endometriose cerebral deve ser considerada na investigação de mulheres com crises associadas à menstruação e lesões cerebrais sem causa esclarecida, mesmo na ausência de sintomas pélvicos.