Compostos da cannabis podem reverter a gordura no fígado, diz estudo

Além da gordura no fígado, os compostos da cannabis conseguiram melhorar o acúmulo de gordura corporal e os níveis de açúcar no sangue

atualizado

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Olena Ruban/Getty Images
Ilustração colorida de cannabis medicinal - Estudo indica que a cannabis não alivia a dor neuropática crônica - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de cannabis medicinal - Estudo indica que a cannabis não alivia a dor neuropática crônica - Metrópoles - Foto: Olena Ruban/Getty Images

Cada vez mais, a esteatose hepática tem afetado pessoas pelo mundo devido à maior ocorrência da obesidade, diabetes e do colesterol descompensado. O quadro, conhecido popularmente como gordura no fígado, ocorre quando há o acúmulo expressivo de gordura nas células hepáticas. Apesar da grande incidência, ainda não existe um medicamento específico para tratar a condição.

No entanto, segundo um novo estudo, o cenário pode mudar: pesquisadores internacionais indicaram que dois compostos da planta cannabis conseguiram reverter um quadro de gordura no fígado em ratos obesos, sem causar efeitos colaterais. O próximo passo é realizar testes em humanos.

Por meio do uso do canabidiol (CBD) e do canabigerol (CBG), os ratos obesos obtiveram melhora na esteatose hepática e  na regulação e diminuição dos níveis de açúcar e lípidos no sangue.  O estudo liderado pela Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, teve os resultados publicados no British Journal of Pharmacology no início de março.

Utilização do CBD e CBG para tratar a gordura no fígado

Inicialmente, os ratos foram alimentados com uma dieta rica em gordura. Posteriormente, eles receberam injeções diárias de CBD e CBG no abdômen.

Como resultado, a produção de fosfocreatina, uma forma de creatina liberada pelo fígado, aumentou. Ela é usada como uma reserva rápida de energia pelas células. Quanto maior sua quantidade, mais as células hepáticas terão fontes energéticas para funcionar melhor, o que reduz o acúmulo de gordura.  Segundo os resultados, a função hepática dos animais foi restaurada após um mês.

Em comparação com o CBD, o CBG foi mais eficaz para reduzir a gordura corporal e o colesterol “ruim” (LDL), além de aumentar a sensibilidade à insulina, nos ratos.

“Nossos resultados identificam um novo mecanismo pelo qual o CBD e o CBG melhoram a energia hepática [do fígado] e a função lisossomal. Essa dupla remodelação metabólica contribui para uma melhor metabolização dos lipídios no fígado e destaca esses compostos como agentes terapêuticos promissores para a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (DHEM)”, destaca um dos autores do estudo, Joseph Tam, em entrevista ao portal Science Alert.

Apesar dos resultados promissores, é preciso realizar estudos com a participação de humanos para ver se os efeitos benéficos ao fígado permanecerão. Também deverá ser analisado se a repercussão hepática ocorre apenas com a injeção abdominal, visto que a maioria dos produtos atuais da cannabis é em gotas.

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