Câncer de colo de útero tem vacina, mas ainda mata 20 mulheres ao dia
O HPV é um vírus silencioso e pode levar ao câncer de colo de útero. MSD Brasil abre a Casa Lilás para conscientizar a população
atualizado
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O câncer de colo de útero é um dos poucos que dispõe de uma vacina para a prevenção, mas ainda assim é o que mais mata mulheres até os 35 anos e o segundo mais letal entre aquelas com até 60 anos. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimam mais de 19 mil novos casos por ano no triênio de 2026 e 2028, 14% a mais do que foi visto entre 2022 e 2025.
Quase todos os casos (99%) estão relacionados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), que pode ser prevenida com a vacinação e ter o risco reduzido com exames de rotina e do tratamento adequado de lesões pré-cancerígenas.
“É triste, porque é um câncer que pode ser prevenido. A vacina está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2014 e hoje previne meninas e meninos. É uma realidade que precisamos mudar”, afirma a ginecologista Susana Aidê, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas (CNE) da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
A médica falou no evento de abertura da Casa Lilás, em São Paulo, nesta quinta-feira (26/2), realizado pela MSD Brasil. O local será voltado para palestras e eventos de conscientização sobre o câncer de colo de útero durante o mês de março, com ambientação instagramável, ativações interativas e momentos de conversa sobre prevenção, vacinação contra o HPV, rotina de exames e autocuidado.
Um estudo global, com mais de 1 milhão de mulheres, mostrou que a infecção pelo HPV não é um problema restrito aos jovens, grupo prioritário das vacinas. Nas pessoas de até 25 anos, a taxa chegou a 24% de pessoas com o vírus. Entre as com mais de 45 anos, a prevalência chegou a 10%.
“Acredito que um futuro em que o câncer de colo do útero não exista esteja próximo de nós, pois temos uma vacinação que ajuda na sua prevenção”, diz o diretor de Vacinas na MSD Brasil, Fernando Cerino.
Quem pode se vacinar pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
- Pacientes oncológicos com até 45 anos;
- Pessoas vivendo com HIV/aids até 45 anos;
- Pacientes transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea até 45 anos;
- Pessoas de 15 a 45 anos usuárias de PrEP;
- Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos.

Por que vacinar contra HPV é importante?
Estima-se que oito em cada 10 pessoas terão contato com o papilomavírus humano (HPV) em algum momento da vida. Embora o preservativo seja essencial no controle das infecções sexualmente transmissíveis, ele não é totalmente eficaz no combate ao HPV, uma vez que o vírus é passado pelo contato direto entre pele e mucosa.
“É um vírus transmissível por relações sexuais, quaisquer que sejam elas. É o atrito das partes genitais que leva à contaminação, podendo ser também orogenital ou anogenital”, esclarece Susana.
Existem mais de 200 tipos de HPV, classificados em baixo risco e alto risco — esses são conhecidos como oncogênicos, capazes de causar câncer. “Eles mudam todo o controle de qualidade celular, geram células malformadas e as lesões pré-malígnas. Se não tratadas, podem evoluir para o câncer”, explica a médica.
Os tipos de câncer mais comuns relacionados à infecção pelo HPV em mulheres são os de: vagina, vulva, canal anal. Entre os homens, o vírus pode se manifestar no ânus, pênis e orofaringe.
A imunização contra o HPV pode ser feita na rede pública ou privada. Nas clínicas particulares é oferecida a vacina nonavalente, para homens e mulheres com idades entre 9 e 45 anos.
