Ginecologista explica sintomas e prevenção do câncer de colo de útero

Prevenção ao câncer de colo de útero e reconhecimento dos sintomas são essenciais para garantir um tratamento mais eficaz

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Cirurgião segurando modelo anatômico de patologias comuns. Conceito de câncer ou endometriose - Ginecologistas explicam os principais sinais de alerta da endometriose - Metrópoles
1 de 1 Cirurgião segurando modelo anatômico de patologias comuns. Conceito de câncer ou endometriose - Ginecologistas explicam os principais sinais de alerta da endometriose - Metrópoles - Foto: Peter Dazeley/Getty Images

O câncer de colo de útero é um câncer totalmente prevenível, que pode ser diagnosticado em fases precoces por meio do exame preventivo. Nos estágios iniciais, geralmente não apresenta sintomas, o que reforça a importância de realizar o rastreamento regularmente.

De acordo com a ginecologista Giani Cezimbra, o sintoma que mais deve chamar a atenção é o sangramento anormal.

“Se eu tivesse que orientar as mulheres em uma frase, seria: atenção ao sangramento fora da menstruação ou após a relação sexual”, afirma.

Nas fases iniciais, o câncer pode causar sangramento vaginal fora do período menstrual, após a relação sexual ou mesmo pequenos escapes inesperados. Também podem surgir corrimento com odor desagradável, presença de sangue e coloração mais escura ou amarronzada. Tudo isso precisa ser investigado.

O sangramento fora do ciclo pode estar relacionado a alterações hormonais e até ocorrer durante a ovulação. No entanto, quando foge do padrão habitual da mulher — por exemplo, se o ciclo é regular a cada 28 ou 30 dias e passam a ocorrer episódios fora desse intervalo –, é fundamental buscar avaliação.

Médica explicando o modelo anatômico do útero e do câncer de colo de útero - Metrópoles
Mudanças no ciclo menstrual merecem avaliação médica, pois podem estar relacionadas ao câncer de colo de útero

Segundo a especialista, o câncer de colo de útero costuma estar associado a lesões precursoras com aumento da vascularização, o que facilita o sangramento, especialmente durante a relação sexual, devido ao contato direto com o colo do útero.

A dor na relação sexual também pode surgir, principalmente em estágios mais avançados. Embora ela possa estar relacionada a inflamações ou outras alterações uterinas e pélvicas, não deve ser considerada normal e exige investigação.

Nos quadros mais avançados, podem aparecer dor lombar, inchaço nas pernas, dificuldade para urinar ou evacuar e presença de sangue na urina ou nas fezes, sinais que indicam possível invasão de órgãos próximos. Cansaço excessivo, perda de peso e redução da disposição também podem ocorrer.

HPV e risco de câncer

A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é o principal fator de risco para o câncer de colo de útero. A infectologista Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que a maioria das infecções é assintomática e pode ser eliminada espontaneamente pelo organismo em até 24 meses.

Existem mais de 200 tipos de HPV identificados. Alguns são responsáveis por verrugas genitais, enquanto outros estão associados a tumores malignos, como os de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.

Dados do Ministério da Saúde indicam que 54,4% das mulheres brasileiras apresentam infecção genital por HPV. O câncer de colo de útero mata, em média, 19 mulheres por dia no país.

A genotipagem do HPV passou a ser recomendada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para mulheres entre 25 e 64 anos, especialmente a partir dos 30. O exame permite identificar os tipos de maior risco e direcionar o acompanhamento.

“O teste possibilita detectar genótipos de alto risco e ajustar a conduta médica conforme cada caso”, explica Sylvia.

Prevenção e rastreamento

A única forma eficaz de prevenir ou identificar precocemente o câncer de colo de útero é por meio do exame preventivo, além da vacinação contra o HPV, disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.

A ginecologista Sophie Françoise Mauricette Derchain, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), reforça que o acompanhamento regular é essencial.

“Consultas periódicas e exames como o Papanicolau e o teste de HPV são fundamentais para reduzir a mortalidade”, destaca.

Mesmo sendo altamente prevenível, o câncer de colo de útero ainda é o que mais mata mulheres até os 36 anos no Brasil. O dado reforça a necessidade de atenção aos sintomas, especialmente ao sangramento anormal, e a realização regular dos exames de rastreamento.

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