Cafeína pode restaurar memória afetada pela falta de sono, diz estudo
Pesquisa mostra que a cafeína atua em circuito específico do cérebro afetado pela falta de sono e recupera memória social
atualizado
Compartilhar notícia

A falta de sono pode afetar mais do que a disposição ao longo do dia. Um estudo da Escola de Medicina Yong Loo Lin, da Universidade Nacional de Singapura, indica que a privação de sono interfere diretamente em circuitos específicos do cérebro ligados à memória. Os resultados também mostram que a cafeína pode reverter esse efeito.
Publicada na revista Neuropsychopharmacology em 10 de fevereiro, a pesquisa analisou o impacto da falta de sono em uma região do hipocampo, estrutura essencial para aprendizagem e formação de memórias.
Os cientistas focaram na área conhecida como CA2, relacionada à memória social, que permite reconhecer pessoas e interações. Em laboratório, os pesquisadores induziram cinco horas de privação de sono e, depois, administraram cafeína por sete dias.
Conforme os resultados, a falta de sono prejudicou a comunicação entre os neurônios nessa região, reduzindo a capacidade de o cérebro fortalecer conexões importantes para a memória. O efeito também apareceu no comportamento, com dificuldades em reconhecer outros indivíduos.
Efeito da cafeína no cérebro
Ao introduzir a cafeína, os pesquisadores observaram uma recuperação da atividade cerebral na área afetada. A substância restaurou a plasticidade sináptica, mecanismo que permite ao cérebro ajustar suas conexões com base nas experiências.
Esse efeito ocorreu de forma direcionada. Em vez de estimular o cérebro de maneira geral, a cafeína atuou especificamente no circuito prejudicado pela falta de sono. Nos animais que não passaram por privação, não houve sinais de hiperestimulação.
“A privação de sono não apenas causa cansaço. Ela interfere seletivamente em importantes circuitos de memória. Descobrimos que a cafeína pode reverter essas interrupções tanto em nível molecular quanto comportamental”, afirma Lik-Wei Wong, primeiro autor do estudo, em comunicado.
Segundo os pesquisadores, a ação da cafeína está ligada ao bloqueio de receptores de adenosina, substância que se acumula no cérebro durante a vigília e reduz a atividade neural.
Para o professor Sreedharan Sajikumar, que liderou o estudo, os resultados ajudam a entender melhor a relação entre sono e memória.
“A região CA2 funciona como um ponto de conexão entre o sono e a memória social. Compreender esse mecanismo pode orientar novas estratégias para preservar o desempenho cognitivo”, afirma.
Apesar dos achados, os cientistas destacam que são necessários mais estudos para avaliar como esses efeitos se aplicam a humanos e em diferentes contextos de privação de sono.
