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Saúde

Brasiliense tem tromboembolismo pulmonar após viagem curta de avião

Karina Ribeiro, de 47 anos, desenvolveu um tromboembolismo pulmonar, passou cinco dias na UTI e agora segue em recuperação e acompanhamento

26/07/2026 18:57, atualizado 26/07/2026 19:09
Arquivo pessoal
Imagens de Karina em hospital tratando tromboembolismo pulmonar - Metrópoles

Após fazer uma viagem de avião de pequena duração, cerca de duas horas, a brasiliense Karina Ribeiro, de 47 anos, assistente social, desenvolveu um tromboembolismo pulmonar (TEP), condição em que se formam coágulos, geralmente nas pernas, e que, se não tratada como emergência, pode levar à morte.

Antes mesmo da viagem, uns 10 dias, Karina sentiu que sua perna esquerda estava levemente inchada, mas não achou que era algo que merecia importância naquele momento. Dessa forma, ela seguiu com o plano de levar os dois filhos para Balneário Camboriú, Santa Catarina, para o parque de diversões Beto Carrero World.

“Eu fiz uma viagem de avião: de Brasília a São Paulo e depois de São Paulo a Florianópolis. Quando cheguei lá, estava bem. Não sentia nada.  No outro dia [em Balneário Camboriú], quando eu fui sair da cama, senti uma pontada na perna, mas parecia dor muscular. Atribuí a um problema muscular. Tomei um remédio para dor e segui para o Beto Carrero”, conta ao Metrópoles.

Porém, no dia seguinte ela sentiu a mesma pontada na perna esquerda. No terceiro dia de viagem, decidiu subir um lance de escadas do hotel e, nesse momento, teve uma falta de ar e sentiu dores no peito. Ela precisou se sentar e levou 10 minutos para se recuperar.

No mesmo dia, pouco tempo após o episódio da escada, uma ida ao mercado a fez se sentir cansada de uma forma não convencional.

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Por estar em outro estado, em um momento de lazer com as crianças, resolveu esperar a volta para Brasília para então procurar um médico cardiologista, pois nesse momento acreditava que uma questão cardíaca era a mais plausível para o que estava sentindo.

De volta ao Distrito Federal, ela marcou o médico para um dia depois, pois já aproveitaria para levar o filho a uma consulta.

No hospital, porém, quando chegou para ser atendida, já estava dessaturanda — condição causada quando o oxigênio do sangue está abaixo do normal. Assim, Karina foi levada às pressas para o atendimento médico.

Devido às características apresentadas pela brasiliense quando chegou à unidade médica, e por haver suspeita de tromboembolismo pulmonar (PET), uma equipe multidisciplinar realizou o atendimento dela.

O tromboembolismo pulmonar é uma doença tempo-dependente. Muitos pacientes chegam ao hospital com sintomas que podem ser confundidos com outras condições, e isso pode atrasar o diagnóstico. Quando conseguimos reconhecer rapidamente o quadro, estratificar o risco e reunir uma equipe multidisciplinar para definir a melhor estratégia de tratamento, aumentamos significativamente as chances de evitar complicações graves e salvar vidas”, explica a cardiologista Anny Gutemberg, coordenadora dos protocolos de dor torácica e tromboembolismo pulmonar do Hospital Brasília Águas Claras.

Karina passou cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e dois dias na enfermaria. O tratamento dela consistiu em uma “intervenção minimamente invasiva que aplica o medicamento diretamente no local atingido”. Agora, ela está bem, mas terá que continuar recebendo acompanhamento com o uso de anticoagulantes, completa Anny.


Como prevenir uma tromboembolismo pulmonar (TEP)

  • Identificação de risco: a prevenção do tromboembolismo é mais eficaz quando as situações de maior risco são reconhecidas com antecedência.
  • Cuidados em viagens longas: recomenda-se movimentar as pernas regularmente, exercitar a musculatura da panturrilha, levantar-se e caminhar periodicamente.
  • Medidas específicas e uso de medicamentos: pessoas de alto risco podem precisar de meias de compressão ou anticoagulantes, sempre com orientação médica devido ao risco de sangramentos.
  • Prevenção hospitalar: em casos de internações e após cirurgias, as equipes médicas avaliam o risco de trombose e, se preciso, adotam medidas preventivas adequadas.

Como se forma o tromboembolismo pulmonar

Conforme esclarece Anny, o tromboembolismo pulmonar (TEP) ocorre quando coágulos, geralmente formados nas pernas ou na pelve, migram para as artérias dos pulmões.

Diversos fatores podem aumentar esse risco, incluindo cirurgias, imobilidade, internações, câncer, hormônios, gestação, genética e idade avançada. Viagens longas (acima de quatro horas) também favorecem a formação desses trombos devido à diminuição da circulação sanguínea provocada pelo tempo prolongado sentado.

O cardiologista Eduardo Lima, do Hospital Nove de Julho e Coordenador de Cardiologia da Rede Américas, reforça que a trombose pulmonar é um evento em que se forma um coágulo que normalmente atinge a artéria pulmonar, mas o principal ponto a entender é que, na maioria dos casos, esse coágulo não se forma no pulmão.

“Há décadas já sabemos quais são os três fatores associados à formação desses coágulos, descritos pela chamada tríade de Virchow: lesão na parede do vaso, hipercoagulabilidade, quando o próprio sangue tem mais facilidade de coagular, por questões genéticas ou outras condições, e a estase, quando o sangue fica parado por muito tempo em uma perna imóvel”, complementa.

Os especialistas esclarecem que, no caso de voos longos, a recomendação é levantar e se movimentar a cada duas horas, usar meias elásticas e, quando há indicação médica, usar anticoagulantes.

“No começo, nos 30 primeiros dias depois da internação, fiquei bem cansada. Estava com falta de ar e não conseguia fazer muitas coisas. Hoje, falo que eu estou 98% melhor. Foi uma recuperação divina. Nasci de novo. Agora valorizo ainda mais os bons momentos da vida ao lado dos meus familiares”, finaliza Karina, emocionada.