Empresário confunde dor muscular e descobre trombose com 3 coágulos

Após achar que tinha apenas uma lesão na perna, brasiliense recebeu diagnóstico de trombose e precisou ser internado

atualizado

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1 de 1 Foto colorida de homem com blusa branca - Metrópoles - Foto: Arquivo Pessoal

Uma dor súbita na panturrilha esquerda, como se o músculo tivesse rasgado, mudou a rotina do empresário brasiliense Flavio Marcelo da Fonseca, de 48 anos, no início de 2026.

Em boa forma física, ativo e sem fatores de risco aparentes, ele acreditou ter sofrido apenas uma lesão muscular. Dias depois, porém, exames revelaram três trombos na perna e a necessidade de internação imediata para evitar complicações graves.

O caso chama atenção porque a trombose venosa profunda pode surgir até em pessoas consideradas saudáveis e, em alguns momentos, imitar problemas ortopédicos comuns, como distensão muscular.

“Fisgada repentina”

No dia 26 de janeiro, Flávio estava no mercado com o filho quando sentiu uma fisgada intensa na panturrilha esquerda. Segundo ele, a sensação foi de que o músculo havia rasgado, acompanhada de um impacto semelhante a uma pedrada.

A dor foi tão forte que ele perdeu a capacidade de caminhar normalmente e precisou da ajuda do filho para chegar ao carro. Em casa, optou por repouso, gelo e relaxante muscular.

No dia seguinte, sem melhora, procurou atendimento médico. Após avaliação inicial, recebeu a informação de que poderia ter rompido o músculo da panturrilha esquerda. A orientação foi manter repouso, gelo e medicação para dor e inflamação.

Mesmo assim, ele estranhou o diagnóstico. Disse não ter feito esforço incomum nem qualquer atividade diferente da rotina habitual. Na semana seguinte, o empresário embarcou com a família para Maceió (AL), onde permaneceu por sete dias.

Como ficou mais em repouso e sem grandes esforços, percebeu melhora significativa da dor. Mas, no retorno de avião, já no aeroporto, voltou a sentir forte desconforto na perna.

Pensou que pudesse ser um tendão repuxando e decidiu esperar o próximo dia para procurar novo atendimento. Ele conta que a perna dele inchou e houve aumento da temperatura local.

Exame revelou três trombos

Ao retornar ao médico, houve suspeita de problema vascular. O empresário foi encaminhado imediatamente para um ultrassom com Doppler venoso. O exame mostrou três trombos na perna. Diante do risco de progressão do quadro, ele precisou ser internado às pressas.

“Disseram que eu precisava ficar internado para não correr o risco de o trombo subir”, relatou.

Ele diz que ficou assustado e permaneceu seis dias no hospital usando anticoagulante injetável duas vezes ao dia. Depois, recebeu alta com prescrição de medicamentos por via oral para continuidade do tratamento em casa.

O que é trombose venosa profunda

A cirurgiã vascular e especialista em ecografia vascular com Doppler Aline Helena Gonzalez Fares explica que a trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando um coágulo se forma dentro das veias profundas, principalmente nas pernas. Segundo ela, o problema costuma estar ligado a três mecanismos clássicos:

“Lentidão da circulação sanguínea, lesão na parede do vaso e maior tendência do sangue à coagulação. Quando o coágulo obstrui a veia, parcial ou totalmente, o retorno do sangue fica prejudicado no local”, esclarece.

De acordo com a médica, a trombose venosa profunda pode ser confundida com distensão muscular, sobretudo em pessoas ativas. Em lesões musculares, a tendência é melhora progressiva com o passar dos dias. Os principais sinais de alerta incluem:

  • Inchaço em apenas uma perna;
  • Sensação de peso ou endurecimento da panturrilha;
  • Calor local;
  • Mudança de cor da pele;
  • Dor persistente que não melhora com repouso.

Risco de embolia pulmonar

A complicação mais grave acontece quando parte do trombo se desprende e migra até os pulmões, provocando embolia pulmonar. Os sintomas de urgência incluem falta de ar súbita, dor no peito ao respirar, taquicardia, tontura e até desmaio. Nesses casos, o atendimento deve ser imediato.

Após a alta, o empresário procurou especialista vascular, que orientou manter o anticoagulante por 60 dias e repetir exames. Também foi encaminhado a um hematologista.

Parte da investigação laboratorial, voltada a possíveis alterações de coagulação, deverá ser feita nos próximos 90 dias. O objetivo agora é entender por que um homem ativo, sem obesidade e sem uso de medicamentos desenvolveu a trombose.

Hoje, em fase de recuperação, Flávio afirma que ainda mantém cautela para retomar plenamente a rotina de atividades físicas que praticava antes do episódio.

Desde a alta, tem concentrado a rotina no acompanhamento mais próximo do próprio negócio enquanto aguarda a conclusão dos exames e maior segurança para voltar ao ritmo habitual.

O caso reforça que dor persistente na panturrilha ou em qualquer outro lugar do corpo, principalmente acompanhada de inchaço, não deve ser ignorada. Nem toda dor na perna é muscular — e reconhecer o quadro cedo pode evitar complicações potencialmente fatais.

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