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Saúde

Empresário confunde dor muscular e descobre trombose com 3 coágulos

Após achar que tinha apenas uma lesão na perna, brasiliense recebeu diagnóstico de trombose e precisou ser internado

04/05/2026 02:00
Arquivo Pessoal
Foto colorida de homem com blusa branca - Metrópoles

Uma dor súbita na panturrilha esquerda, como se o músculo tivesse rasgado, mudou a rotina do empresário brasiliense Flavio Marcelo da Fonseca, de 48 anos, no início de 2026.

Em boa forma física, ativo e sem fatores de risco aparentes, ele acreditou ter sofrido apenas uma lesão muscular. Dias depois, porém, exames revelaram três trombos na perna e a necessidade de internação imediata para evitar complicações graves.

O caso chama atenção porque a trombose venosa profunda pode surgir até em pessoas consideradas saudáveis e, em alguns momentos, imitar problemas ortopédicos comuns, como distensão muscular.

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“Fisgada repentina”

No dia 26 de janeiro, Flávio estava no mercado com o filho quando sentiu uma fisgada intensa na panturrilha esquerda. Segundo ele, a sensação foi de que o músculo havia rasgado, acompanhada de um impacto semelhante a uma pedrada.

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A dor foi tão forte que ele perdeu a capacidade de caminhar normalmente e precisou da ajuda do filho para chegar ao carro. Em casa, optou por repouso, gelo e relaxante muscular.

No dia seguinte, sem melhora, procurou atendimento médico. Após avaliação inicial, recebeu a informação de que poderia ter rompido o músculo da panturrilha esquerda. A orientação foi manter repouso, gelo e medicação para dor e inflamação.

Mesmo assim, ele estranhou o diagnóstico. Disse não ter feito esforço incomum nem qualquer atividade diferente da rotina habitual. Na semana seguinte, o empresário embarcou com a família para Maceió (AL), onde permaneceu por sete dias.

Como ficou mais em repouso e sem grandes esforços, percebeu melhora significativa da dor. Mas, no retorno de avião, já no aeroporto, voltou a sentir forte desconforto na perna.

Pensou que pudesse ser um tendão repuxando e decidiu esperar o próximo dia para procurar novo atendimento. Ele conta que a perna dele inchou e houve aumento da temperatura local.

Exame revelou três trombos

Ao retornar ao médico, houve suspeita de problema vascular. O empresário foi encaminhado imediatamente para um ultrassom com Doppler venoso. O exame mostrou três trombos na perna. Diante do risco de progressão do quadro, ele precisou ser internado às pressas.

“Disseram que eu precisava ficar internado para não correr o risco de o trombo subir”, relatou.

Ele diz que ficou assustado e permaneceu seis dias no hospital usando anticoagulante injetável duas vezes ao dia. Depois, recebeu alta com prescrição de medicamentos por via oral para continuidade do tratamento em casa.

O que é trombose venosa profunda

A cirurgiã vascular e especialista em ecografia vascular com Doppler Aline Helena Gonzalez Fares explica que a trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando um coágulo se forma dentro das veias profundas, principalmente nas pernas. Segundo ela, o problema costuma estar ligado a três mecanismos clássicos:

“Lentidão da circulação sanguínea, lesão na parede do vaso e maior tendência do sangue à coagulação. Quando o coágulo obstrui a veia, parcial ou totalmente, o retorno do sangue fica prejudicado no local”, esclarece.

De acordo com a médica, a trombose venosa profunda pode ser confundida com distensão muscular, sobretudo em pessoas ativas. Em lesões musculares, a tendência é melhora progressiva com o passar dos dias. Os principais sinais de alerta incluem:

  • Inchaço em apenas uma perna;
  • Sensação de peso ou endurecimento da panturrilha;
  • Calor local;
  • Mudança de cor da pele;
  • Dor persistente que não melhora com repouso.

Risco de embolia pulmonar

A complicação mais grave acontece quando parte do trombo se desprende e migra até os pulmões, provocando embolia pulmonar. Os sintomas de urgência incluem falta de ar súbita, dor no peito ao respirar, taquicardia, tontura e até desmaio. Nesses casos, o atendimento deve ser imediato.

Após a alta, o empresário procurou especialista vascular, que orientou manter o anticoagulante por 60 dias e repetir exames. Também foi encaminhado a um hematologista.

Parte da investigação laboratorial, voltada a possíveis alterações de coagulação, deverá ser feita nos próximos 90 dias. O objetivo agora é entender por que um homem ativo, sem obesidade e sem uso de medicamentos desenvolveu a trombose.

Hoje, em fase de recuperação, Flávio afirma que ainda mantém cautela para retomar plenamente a rotina de atividades físicas que praticava antes do episódio.

Desde a alta, tem concentrado a rotina no acompanhamento mais próximo do próprio negócio enquanto aguarda a conclusão dos exames e maior segurança para voltar ao ritmo habitual.

O caso reforça que dor persistente na panturrilha ou em qualquer outro lugar do corpo, principalmente acompanhada de inchaço, não deve ser ignorada. Nem toda dor na perna é muscular — e reconhecer o quadro cedo pode evitar complicações potencialmente fatais.