Entenda como útero de doadora morta permitiu que mulher desse à luz

Procedimento com órgão de doadora falecida foi realizado como parte de estudo clínico no Reino Unido e resultou no nascimento de um bebê

atualizado

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Reprodução / Hospital Queen Charlotte’s and Chelsea
Foto colorida de familia com bebê recém-nascido no colo, resultad de transplante de útero em sucedido - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de familia com bebê recém-nascido no colo, resultad de transplante de útero em sucedido - Metrópoles. - Foto: Reprodução / Hospital Queen Charlotte’s and Chelsea

O nascimento do bebê Hugo Richard Norman Powell, em dezembro de 2025, no Reino Unido, chamou a atenção internacionalmente. A mãe, Grace Bell, nasceu sem útero e só pôde engravidar após receber o transplante do órgão de uma doadora falecida.

O procedimento foi realizado como parte do UK Investigational Study into Transplantation of the Uterus (Insitu), estudo clínico britânico que investiga a viabilidade e a segurança do transplante uterino.

O transplante de útero é um procedimento cirúrgico complexo destinado a mulheres que não possuem o órgão — seja por condição congênita ou por remoção cirúrgica anterior. No caso de Grace Bell, ela nasceu sem útero.

A cirurgia consistiu na implantação de um útero proveniente de uma mulher falecida. A família autorizou especificamente a doação do órgão. O comunicado oficial, publicado nesta terça-feira (24/2), explica que o útero não faz parte do registro padrão de doação, o que exige consentimento adicional da família. O procedimento integra um protocolo de pesquisa que vem sendo desenvolvido no Reino Unido há mais de 25 anos.

Como foi o processo até a gravidez?

Segundo o comunicado, Grace recebeu o transplante em 2023. Após a recuperação da cirurgia, ela passou por tratamento de fertilização in vitro (FIV) que resultou na gravidez. A gestação evoluiu com sucesso e culminou no nascimento de Hugo. O caso representa o primeiro nascimento no Reino Unido após transplante de útero de doadora falecida e é apenas o terceiro caso desse tipo na Europa.

Para esse feito, o programa Insitu reuniu especialistas em transplante e medicina reprodutiva de várias instituições. O procedimento contou com a atuação de cirurgiões, médicos especialistas em fertilidade e equipes hospitalares do Imperial College Healthcare NHS Trust e do Oxford University Hospitals NHS Foundation Trust.

O professor Richard Smith, fundador do programa britânico de transplante uterino, é citado no comunicado como uma das principais lideranças do projeto. O nome do bebê, Hugo Richard Norman Powell, homenageia o cientista.

A instituição responsável pelo procedimento destaca que a família da doadora expressa “tremendo orgulho pelo legado” deixado. Além do útero, outros órgãos também foram doados, beneficiando diferentes pacientes. Grace afirmou que a “bondade e o altruísmo” da família tornaram possível a realização do seu sonho de ser mãe.

O transplante de útero ainda é considerado um procedimento investigacional no Reino Unido. O objetivo do estudo Insitu é avaliar segurança, eficácia e benefícios do uso de úteros de doadoras falecidas. O nascimento de Hugo não transforma automaticamente o transplante uterino em prática padrão, mas demonstra que, dentro de protocolos clínicos rigorosos, o procedimento pode resultar em gravidez e parto bem-sucedidos.

Mais do que um caso individual, o episódio representa um avanço na medicina reprodutiva e amplia o debate sobre novas possibilidades para o futuro da reprodução.

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