Ar das montanhas inspira novo tratamento contra Parkinson em camundongos
Tratamento experimental reduziu o excesso de oxigênio no cérebro e melhorou os movimentos dos animais, após o início dos sintomas
26/10/2026 09:42, atualizado 26/10/2026 09:43

Uma combinação experimental de dois medicamentos melhorou os movimentos de camundongos com alterações semelhantes às da doença de Parkinson.
A estratégia reproduz alguns efeitos do ar rarefeito das montanhas ao reduzir a quantidade de oxigênio que chega aos tecidos, inclusive ao cérebro. Os resultados foram publicados em nove de outubro na revista científica PNAS.
O tratamento começou quando os animais já apresentavam dificuldades motoras. Após receberem os compostos, eles passaram a descer mais rapidamente por uma haste e conseguiram permanecer agarrados à tampa de uma gaiola por mais tempo, dois testes utilizados para avaliar os movimentos.

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Ver todasPor que reduzir o oxigênio
A proposta parte de um desequilíbrio associado ao funcionamento das mitocôndrias, estruturas que utilizam oxigênio para produzir energia nas células. Quando elas não trabalham adequadamente, a oferta de oxigênio pode superar a capacidade de utilização, favorecendo danos aos tecidos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaNo Parkinson, o acúmulo da proteína alfa-sinucleína pode prejudicar as mitocôndrias. A equipe investigou, então, uma maneira de diminuir a entrega de oxigênio para aproximá-la da quantidade que as células conseguem consumir. A combinação reúne duas substâncias com funções complementares:
- GBT601: aumenta a capacidade da hemoglobina, proteína do sangue, de reter oxigênio, diminuindo a liberação para os tecidos.
- PT2399: limita a resposta compensatória do organismo, que poderia produzir mais glóbulos vermelhos para aumentar o transporte de oxigênio.
Nos experimentos, a associação conseguiu reduzir o oxigênio no tecido cerebral sem provocar o aumento da hemoglobina observado com o GBT601 isoladamente.
Melhora após o início dos sintomas
Para provocar alterações semelhantes às do Parkinson, os cientistas injetaram agregados de alfa-sinucleína no cérebro dos camundongos. Seis semanas depois, começaram a administrar os medicamentos diariamente por via oral, mantendo o tratamento por outras seis semanas.
Além da melhora motora, a combinação reduziu o excesso de oxigênio cerebral e um marcador de danos às gorduras presentes no tecido. Uma medida de comportamento semelhante à ansiedade, porém, não melhorou.
Nos animais de controle avaliados durante seis semanas, os pesquisadores também não identificaram sinais de hipertensão pulmonar, uma complicação associada à exposição prolongada a ambientes com pouco oxigênio.
Os achados demonstram efeitos da combinação em modelos animais e abrem caminho para novas avaliações, mas ainda não estabelecem sua eficácia para tratar pessoas com Parkinson.














