Anvisa aprova primeira terapia-alvo para tratar câncer de bexiga

Doença é agressiva e geralmente não responde a tratamentos com quimioterapia ou imunoterapia

PITIPHOTHIVICHIT/ISTOCKPITIPHOTHIVICHIT/ISTOCK

atualizado 07/10/2019 18:13

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento que pode representar esperança para pacientes com câncer urotelial, tipo mais comum do câncer de bexiga, localmente avançado ou metastático. Produzido pela Janssen Farmacêutica, o erdafitinibe é a primeira terapia-alvo para tratamento da doença. O remédio é voltado para casos em que o câncer está em estágio avançado, com alterações no gene do FGFR (sigla em inglês para Fibroblast Growth Factor Receptor, enzimas envolvidas em diversas funções vitais).

O Brasil é o segundo país a receber a aprovação, em abril deste ano. Primeiro, o medicamento foi aprovado em caráter de urgência pela Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos. Além de apresentar alterações genômicas, o paciente-alvo do novo remédio deve ser aquele que não respondeu ou teve recaída após intervenção prévia com quimioterapia, tratamento considerado o padrão nos últimos 30 anos. Estima-se que um em cada cinco pacientes com metástase tenha alguma alteração de FGFR.

Os FGFRs são uma família de receptores que, quando sofrem alterações genéticas, aceleram o crescimento e a sobrevivência do tumor. Essas mudanças podem ser detectadas por meio de testes de biomarcadores, que são utilizados para auxiliar o médico a determinar qual a melhor estratégia de tratamento para cada paciente.

A aprovação do remédio foi baseada nos resultados de um estudo clínico de fase 2, com 99 pacientes com carcinoma urotelial avançado que progrediram durante ou após, pelo menos, uma quimioterapia prévia e que apresentaram ao menos uma mutação de FGFR para qual o medicamento está indicado.

De acordo com a Sociedade Americana de Câncer (ACS, da sigla em inglês), se o tumor é invasivo, mas ainda não se espalhou para fora da bexiga, a taxa de sobrevida em cinco anos é de 69%. Caso a doença se estenda através da bexiga até o tecido circundante ou se espalhe para os linfonodos ou órgãos próximos, a taxa de sobrevida de cinco anos cai para 35%. Se o câncer se espalhar para partes distantes do corpo, a taxa de sobrevida em cinco anos é de apenas 5%. Cerca de 4% das pessoas são diagnosticadas nesta última fase.

A Sociedade Americana de Câncer estima que o câncer de bexiga represente mais de 90% de todos os tumores uroteliais. A doença é considerada o nono tipo de câncer mais comum no mundo, com aproximadamente 550 mil novos casos ao ano. No Brasil, é classificado como um dos tumores mais comuns do sistema urinário, ocupando sexta posição dos tumores mais incidentes em homens. Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados 9.480 novos casos para cada ano do biênio 2018–2019.

O câncer urotelial é mais prevalente entre homens em torno dos 65 anos e possui como principal fator de risco o tabagismo, que aumenta em até três vezes a chance de se desenvolver a doença, de acordo com o Inca. Embora a doença seja extremamente curável, sua detecção precoce pode ser difícil, uma vez que, em fases iniciais, exista a possibilidade de a doença evoluir sem apresentar sintomas. Entre os sinais mais comuns estão: sangramento na urina (presente em 90% dos casos), dor ao urinar e dor pélvica.

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