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Estudo: andar de bicicleta está associado a menor risco de demência

Estudo feito com quase meio milhão de pessoas aponta que pedalar pode proteger o cérebro e reduzir as chances de demência

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pernas de um homem em vista lateral andando de bicicleta em uma avenida em paris carregando uma garrafa de água, carro ao fundo. Metrópoles
1 de 1 pernas de um homem em vista lateral andando de bicicleta em uma avenida em paris carregando uma garrafa de água, carro ao fundo. Metrópoles - Foto: aire images/Getty Images

Andar de bicicleta não faz bem apenas para o bolso, para o corpo e para o meio ambiente. Um estudo publicado no periódico científico JAMA Network Open em 9 de junho mostra que incluir o pedal no deslocamento diário também pode ajudar a proteger o cérebro contra a demência.

Os pesquisadores analisaram dados de 479.723 participantes do banco UK Biobank, no Reino Unido, acompanhados por mais de 13 anos. Todos tinham entre 40 e 69 anos no início do levantamento e responderam questionários sobre os meios de transporte mais utilizados no dia a dia, como carro, ônibus, caminhada ou bicicleta.


O que é demência?

  • Demência é um conjunto de sinais e sintomas, incluindo esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes.
  • Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
  • Um diagnóstico precoce permite ações terapêuticas que podem retardar sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida.
  • Dados do Ministério da Saúde mostram que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.

O que o estudo encontrou

Ao longo do período, 8.845 participantes desenvolveram demência e 3.956 tiveram diagnóstico de Alzheimer. O grupo que relatou pedalar regularmente, sozinho ou em combinação com outros meios de transporte, apresentou risco 19% menor de demência de todas as causas e 22% menor de Alzheimer em comparação com os que se deslocavam apenas de forma não ativa, como carro ou trem. Também foi observada redução de até 40% nos casos de demência de início precoce, antes dos 65 anos.

Outro achado relevante foi a associação do ciclismo com maior volume do hipocampo, região do cérebro essencial para memória e aprendizado.

Os autores sugerem que o esforço físico, aliado à demanda cognitiva da navegação e da atenção no trânsito, podem estar entre os fatores de proteção.

Importância para a saúde pública

A atividade física já é reconhecida como um dos principais fatores que podem retardar ou prevenir até 45% dos casos de demência, segundo a Comissão Lancet de 2024.

O novo trabalho reforça essa evidência ao mostrar que mesmo uma prática cotidiana, como pedalar para se locomover, pode trazer benefícios significativos.

Embora os resultados sejam interessantes, os autores lembram que o estudo é observacional, ou seja, aponta apenas uma associação e não prova uma relação de causa e efeito. Além disso, como os dados foram autorrelatados e analisados em uma população com pouca diversidade étnica, ainda serão necessários novos trabalhos com grupos mais amplos e variados para confirmar as conclusões.

Ainda assim, em um cenário em que mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência no mundo — e esse número pode quase triplicar até 2050 —, os pesquisadores defendem que incentivar o transporte ativo, em especial o uso da bicicleta, seja visto como uma estratégia viável de prevenção e promoção da saúde cerebral.

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