Uso de anabolizantes altera colesterol e aumenta risco de infarto

Substâncias reduzem colesterol bom, elevam o ruim e favorecem síndrome metabólica, mesmo em jovens aparentemente saudáveis

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Abuso de drogas esteróides, anabolizantes. Metrópoles
1 de 1 Abuso de drogas esteróides, anabolizantes. Metrópoles - Foto: Peter Dazeley/Getty Images

O uso indiscriminado de anabolizantes tem se consolidado como um fator silencioso de risco cardiovascular, especialmente entre jovens. Essas substâncias, que têm estrutura semelhante à testosterona, são usadas para estimular o crescimento muscular e melhorar o desempenho físico, mas também para fins estéticos.

Este ano, o tema foi escolhido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para marcar o Dia Mundial de Combate ao Colesterol, celebrado na última sexta-feira (8/8).


Por que é importante controlar o colesterol?

  • O colesterol é um tipo de gordura essencial para o organismo, produzido principalmente pelo fígado e obtido também por meio da alimentação.
  • Ele participa de funções vitais, como a formação das células, a produção de hormônios e vitaminas e o processo de digestão.
  • Quando está em níveis elevados, especialmente o LDL (colesterol ruim), aumenta o risco de problemas como infarto e outras doenças cardiovasculares.
  • O controle pode incluir mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, e, em alguns casos, uso de medicamentos prescritos pelo médico.

Segundo o endocrinologista Márcio Weissheimer Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da SBEM, a testosterona e seus derivados reduzem o HDL, conhecido como colesterol bom, e elevam o LDL, o colesterol ruim.

Além disso, favorecem resistência à insulina, acúmulo de gordura visceral e outros fatores ligados à síndrome metabólica, condição que aumenta de forma significativa o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Estudos mostram efeitos duradouros

Um levantamento publicado na revista Sports Medicine Open avaliou 92 praticantes de musculação e revelou alta prevalência do uso combinado de esteroides, insulina e hormônio do crescimento, quase sempre sem acompanhamento médico.

Entre os usuários, foram registradas alterações expressivas no perfil lipídico e hepático, como queda no HDL, elevação das enzimas ALT e AST e mudanças em enzimas ligadas ao metabolismo de ácidos graxos.

“Esses achados sugerem impactos relevantes na saúde metabólica, com aumento do risco cardiovascular mesmo em indivíduos jovens e aparentemente saudáveis”, afirma Márcio Weissheimer.

Outra análise, publicada na revista Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, reforça que o uso prolongado de anabolizantes está associado à redução persistente do HDL, elevação do LDL, resistência à insulina e acúmulo de gordura visceral. Mesmo após interromper o consumo, o organismo pode manter alterações hormonais e inflamatórias que prolongam os riscos.

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No entanto, o que entendemos normalmente como colesterol é, na verdade, um somatório de diferentes tipos: os famosos HDL e LDL
O LDL, conhecido como colesterol "ruim", quando está em níveis altos, pode formar uma placa nas paredes das artérias, dificultando ou impedindo a passagem do sangue
Quanto mais elevadas as taxas de LDL, maior o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)
Apesar de silencioso, alguns sinais podem dar indícios do problema
São eles: xantelasmas e xantomas (pequenas bolinhas de gordura que aparecem na pele), dores na barriga, nos dedos dos pés e das mãos
O colesterol é um composto gorduroso essencial para produção da estrutura das membranas celulares e de alguns hormônios
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O colesterol é um composto gorduroso essencial para produção da estrutura das membranas celulares e de alguns hormônios

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No entanto, o que entendemos normalmente como colesterol é, na verdade, um somatório de diferentes tipos: os famosos HDL e LDL
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No entanto, o que entendemos normalmente como colesterol é, na verdade, um somatório de diferentes tipos: os famosos HDL e LDL

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O LDL, conhecido como colesterol "ruim", quando está em níveis altos, pode formar uma placa nas paredes das artérias, dificultando ou impedindo a passagem do sangue
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O LDL, conhecido como colesterol "ruim", quando está em níveis altos, pode formar uma placa nas paredes das artérias, dificultando ou impedindo a passagem do sangue

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Quanto mais elevadas as taxas de LDL, maior o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)
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Quanto mais elevadas as taxas de LDL, maior o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC)

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Apesar de silencioso, alguns sinais podem dar indícios do problema
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Apesar de silencioso, alguns sinais podem dar indícios do problema

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São eles: xantelasmas e xantomas (pequenas bolinhas de gordura que aparecem na pele), dores na barriga, nos dedos dos pés e das mãos
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São eles: xantelasmas e xantomas (pequenas bolinhas de gordura que aparecem na pele), dores na barriga, nos dedos dos pés e das mãos

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Para controlar o colesterol ruim é importante realizar, por exemplo, exercícios durante 30 minutos por dia, três vezes por semana
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Para controlar o colesterol ruim é importante realizar, por exemplo, exercícios durante 30 minutos por dia, três vezes por semana

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Aumentar a ingestão de fibras solúveis, como farinha e farelos de aveia, que absorvem o excesso de colesterol no intestino e o eliminam do corpo
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Aumentar a ingestão de fibras solúveis, como farinha e farelos de aveia, que absorvem o excesso de colesterol no intestino e o eliminam do corpo

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Aumentar a ingestão de gorduras saudáveis, que estão presentes no azeite extravirgem e nos alimentos ricos em ômega 3
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Aumentar a ingestão de gorduras saudáveis, que estão presentes no azeite extravirgem e nos alimentos ricos em ômega 3

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E aumentar a ingestão de bebidas como chá-preto e suco de berinjela, que também ajudam no controle do colesterol
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E aumentar a ingestão de bebidas como chá-preto e suco de berinjela, que também ajudam no controle do colesterol

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De acordo com Weissheimer, 6,4% dos homens no mundo já utilizaram anabolizantes, número que tende a ser maior entre frequentadores de academias.

“Em muitos casos, o uso não se limita aos esteroides e envolve também insulina e hormônio do crescimento, o que potencializa os efeitos adversos”, diz. Há registros de infartos precoces em pessoas com menos de 40 anos, sem histórico familiar, mas que usavam essas substâncias.

Com a campanha, a SBEM reforça que estética e saúde não devem entrar em rota de colisão. “A estética não pode custar a vida. É fundamental buscar informação de qualidade e acompanhamento médico antes de qualquer intervenção que afete o metabolismo”, conclui o especialista.

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